Encontro expositivo e aplicado · 16/09/2026
A organização é dirigida e controlada por princípios, estruturas e processos formais. A responsabilidade sobre os dados que sustentam a decisão cabe a papéis designados, e a arquitetura corporativa e o modelo relacional tornam essa responsabilidade verificável no sistema de gestão.
Ritual do projeto
Cada grupo informa o avanço da estratégia de cutover e dos testes integrados, a atividade prevista para o encontro e os impedimentos que exigem decisão.
Cinquenta e cinco minutos de exposição em quatro blocos, quarenta e dois de atividade em grupo e oito de fechamento, após a daily.
O caso orienta a exposição e é retomado ao final de cada bloco conceitual.
Na preparação da carga de dados mestres para a virada do sistema de gestão, a equipe consolida os clientes a partir de três origens: a planilha da área comercial, a planilha do financeiro e a base do sistema legado de faturamento. Um mesmo CNPJ aparece com três códigos, duas razões sociais e limites de crédito de R$ 50 mil, R$ 120 mil e R$ 200 mil. No legado, o CNPJ não é campo único. Nenhum documento indica qual origem é a fonte autorizada do cadastro, e nenhuma pessoa responde pelo limite de crédito. A equipe escolhe o maior valor para não bloquear pedidos. Dois meses após a virada, a auditoria interna questiona um faturamento acima da exposição aprovada pela diretoria financeira.
A alçada de crédito não tinha titular declarado.
O cadastro não tinha dono nem regra de qualidade.
Não havia mapa com o sistema de registro do cliente.
A duplicidade não violava restrição alguma.
Sistema formado por princípios, regras, estruturas e processos pelo qual as organizações são dirigidas e monitoradas, com vistas à geração de valor sustentável para a organização, seus sócios e a sociedade (IBGC, 2023).
Quem detém o capital delega a gestão a administradores, cujos interesses não coincidem necessariamente com os seus. Jensen e Meckling denominam essa relação de problema de agência. A governança reúne os mecanismos que alinham os dois interesses e tornam a gestão verificável.
A governança condiciona o desempenho econômico, a responsabilidade ambiental e o efeito social da organização. Decisão sem registro nem responsável compromete as três dimensões, porque não admite prestação de contas.
Define a estratégia, elege e supervisiona a diretoria, e responde perante os sócios.
Executa a estratégia e opera os controles internos por meio de processos e sistemas.
Examinam se o que foi decidido corresponde ao que foi executado e registrado.
Os cinco princípios do Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa do IBGC (6ª edição) e sua manifestação em um sistema de gestão.
| Princípio | Enunciado | Manifestação no sistema de gestão |
|---|---|---|
| Integridade | Conduta coerente com a ética e com os valores declarados pela organização. | Regra parametrizada igual à política aprovada, sem contorno por fora do sistema. |
| Transparência | Disponibilização da informação relevante às partes interessadas, além da exigida por lei. | Relatório gerado a partir de dado único e rastreável. |
| Equidade | Tratamento justo e isonômico de sócios e demais partes interessadas. | Mesma regra de crédito e de preço aplicada a clientes nas mesmas condições. |
| Responsabilização | Prestação de contas clara e tempestiva, com assunção das consequências dos atos. | Trilha de alteração com usuário, data e valor anterior de cada campo crítico. |
| Sustentabilidade | Consideração dos efeitos econômicos, sociais e ambientais das decisões. | Dado de fornecedor e de produto suficiente para relatar impacto e conformidade. |
Exercício de autoridade, controle e decisão compartilhada sobre a gestão dos ativos de dados (DAMA-DMBOK).
Define responsável, política, regra de qualidade e resolução de conflito.
Cadastra, carrega, integra, protege e corrige conforme o decidido.
| Classe de dado | Característica | Exemplo no sistema de gestão | Exigência de governança |
|---|---|---|---|
| Mestre | Entidade de negócio estável, compartilhada por vários processos. | Parceiro de negócios, item, conta contábil. | Dono designado, fonte única e aprovação de alteração. |
| Transacional | Registro de um evento, com data e valor, referindo dados mestres. | Pedido de venda, nota fiscal, lançamento. | Integridade referencial e trilha de auditoria. |
| Referência | Domínio de valores admitidos, frequentemente externo. | UF, NCM, moeda, condição de pagamento. | Lista controlada e versão vigente. |
| Metadado | Dado que descreve outro dado. | Definição de campo, origem, responsável. | Glossário e catálogo mantidos. |
Pessoas identificadas e posicionadas como responsáveis por prevenir e corrigir problemas com os dados, e dimensões que tornam a qualidade mensurável.
Gestor da área de negócio. Aprova a definição, a regra e o acesso. No caso, a diretoria financeira sobre o crédito.
Especialista da área. Define regra, monitora indicador e trata a não conformidade no dia a dia.
Equipe de tecnologia. Opera banco, cópia, acesso e carga conforme o decidido.
Instância que decide quando duas áreas reivindicam o mesmo dado.
| Dimensão | Pergunta | Regra mensurável aplicada ao cadastro de clientes |
|---|---|---|
| Unicidade | O registro existe uma única vez? | Zero CNPJ repetido entre clientes ativos. |
| Completude | O atributo obrigatório está preenchido? | 100% dos clientes ativos com limite de crédito e condição de pagamento. |
| Validade | O valor respeita o domínio e o formato? | CNPJ alfanumérico com dígitos verificadores válidos; limite maior ou igual a zero. |
| Exatidão | O valor corresponde à realidade ou à fonte autorizada? | Limite igual ao aprovado em ata de crédito, em amostra conferida. |
| Consistência | O valor coincide entre sistemas e registros? | Mesma razão social no sistema de gestão e na Receita Federal. |
| Atualidade | O valor está vigente? | Limite revisado nos últimos doze meses. |
Descrição estruturada da organização que relaciona estratégia, processos, informação, aplicações e tecnologia, usada para analisar, planejar, projetar e implementar a mudança de forma consistente com a estratégia.
Representa o estado atual e o estado futuro da organização em vistas relacionadas, e explicita a lacuna entre os dois.
Todo sistema corporativo e todo dado relevante constam do mapa, com responsável, origem e dependências declarados.
Permite avaliar o efeito de substituir um sistema antes de substituí-lo: que processos, dados e integrações são afetados.
| Domínio | O que descreve | Artefato típico | Pergunta que responde no caso |
|---|---|---|---|
| Negócio | Capacidades, processos, papéis e organização. | Mapa de capacidades, processo em BPMN. | Que processo concede e consome o crédito? |
| Dados | Entidades, relacionamentos, fontes e responsáveis. | Modelo conceitual e lógico, matriz entidade × sistema. | Qual sistema é a fonte autorizada do cliente? |
| Aplicação | Sistemas, módulos, funções e integrações. | Mapa de aplicações, diagrama de interfaces. | Que sistemas leem e alteram o cadastro? |
| Tecnologia | Infraestrutura, plataformas, redes e ambientes. | Diagrama de implantação, inventário. | Onde o dado é armazenado e copiado? |
O ADM organiza a arquitetura em fases iterativas, todas orientadas pela gestão de requisitos. A fase C concentra a arquitetura de dados e de aplicações.
Zachman classifica artefatos por pergunta (o quê, como, onde, quem, quando, por quê) e perspectiva. ArchiMate é a linguagem de notação das camadas de negócio, aplicação e tecnologia.
A implantação do sistema de gestão corresponde às fases C, F e G: dados e aplicações do estado futuro, plano de migração e verificação na virada.
Cada camada responde a uma pergunta de governança; a fonte autorizada é o que faltou na carga.
A arquitetura de dados se detalha em três níveis. O modelo relacional é o nível em que a regra de governança passa a ser imposta pelo banco de dados.
| Conceito do modelo ER | Correspondência no modelo relacional | Regra de mapeamento |
|---|---|---|
| Entidade forte | Relação (tabela) | Cada atributo simples torna-se coluna; o identificador torna-se chave primária. |
| Atributo identificador natural | Chave candidata | Quando não é a chave primária, recebe restrição de unicidade. |
| Relacionamento 1:N | Chave estrangeira | A chave do lado 1 é copiada para a relação do lado N. |
| Relacionamento N:N | Relação associativa | Nova relação com as duas chaves estrangeiras, que compõem a chave primária. |
| Entidade fraca | Relação com chave composta | Chave do proprietário somada ao discriminador parcial. |
| Atributo multivalorado | Relação separada | Uma linha por valor, com chave estrangeira para a entidade. |
Diagrama entidade-relacionamento em notação de pé de galinha, com chaves primárias (PK), estrangeiras (FK) e únicas (UK).
ITEM_PEDIDO é entidade fraca: sua chave primária combina o pedido e o número da linha.Cada restrição declarada no esquema transforma uma regra de qualidade em impedimento verificado pelo banco de dados, em vez de conferência manual posterior.
CREATE TABLE cliente ( cod_cliente VARCHAR(15) PRIMARY KEY, cnpj CHAR(14) NOT NULL UNIQUE, razao_social VARCHAR(100) NOT NULL, limite_credito NUMERIC(15,2) NOT NULL CHECK (limite_credito >= 0), dt_revisao_credito DATE NOT NULL, cod_grupo VARCHAR(10) NOT NULL REFERENCES grupo_cliente ); -- a carga que repete o CNPJ é rejeitada -- no momento da inserção
| Restrição | Regra que impõe | Dimensão |
|---|---|---|
PRIMARY KEY | Todo cliente tem identificador único e não nulo. | Unicidade |
UNIQUE | Um CNPJ corresponde a um único cadastro. | Unicidade |
NOT NULL | Não há cliente sem limite de crédito definido. | Completude |
CHECK | O limite não admite valor negativo. | Validade |
REFERENCES | Não há cliente em grupo inexistente. | Integridade referencial |
A planilha consolidada das três origens repete fatos em várias linhas. A normalização até a terceira forma normal elimina a redundância que produz divergência.
| Forma normal | Exigência | Violação na planilha de carga | Correção |
|---|---|---|---|
| 1FN | Todo atributo é atômico; não há grupo repetitivo. | Coluna telefones com "11 3333-0000; 11 9999-0000". | Relação TELEFONE_CLIENTE, uma linha por número. |
| 2FN | Atributo não chave depende da chave primária inteira. | Em (num_pedido, num_linha), a coluna razao_social depende só do pedido. | A razão social permanece em CLIENTE, alcançada pelo pedido. |
| 3FN | Não há dependência transitiva entre atributos não chave. | cod_grupo → prazo_padrao_dias repetido em cada cliente. | O prazo permanece em GRUPO_CLIENTE. |
O limite de crédito é alterado em uma linha, e todas as transações passam a consultá-lo.
Não há inserção incompleta, atualização parcial nem perda de fato ao excluir um pedido.
Relatório analítico pode repetir dados por desempenho, desde que derivado da fonte normalizada.
Quarenta e dois minutos, por grupo de projeto. Cada grupo escolhe um processo do parceiro já modelado e produz três artefatos encadeados, verificados por outro grupo ao final.
Conteúdo mínimo de cada produto e critério que o grupo verificador aplica.
| Relação | Dono | Curador | Custodiante | Regra de qualidade | Critério de aceite da carga |
|---|---|---|---|---|---|
CLIENTE | Diretoria financeira | Analista de crédito | Equipe de sistemas | Unicidade: zero CNPJ repetido | Relatório de duplicidade vazio antes da virada |
ITEM | Gerência de suprimentos | Analista de cadastro | Equipe de sistemas | Completude: 100% com NCM | Amostra de 30 itens conferida pelo curador |
Seis proposições para conduzir a governança dos dados no projeto do parceiro.
A governança de uma decisão exige responsável designado, origem declarada do dado que a sustenta e restrição que impeça sua violação.
O princípio de governança se verifica pelo controle que o sistema materializa e pela trilha que registra.
Atributo que sustenta decisão tem dono designado e fonte única.
Cada dimensão se expressa em regra mensurável e verificável.
A arquitetura declara a fonte autorizada antes de a migração consolidar as origens.
Chave, unicidade e verificação rejeitam o dado inválido na inserção.
A relação normalizada não admite versões concorrentes do mesmo fato.
Leituras que sustentam a atividade e fontes normativas para consulta.
Governança corporativa e de dados · 16/09/2026 · Prof. Afonso
Ao final do encontro, o estudante deve ser capaz de relacionar os princípios de governança corporativa à governança dos dados do projeto do parceiro, representar em recorte de arquitetura corporativa o processo, as aplicações e as entidades de dados com sua fonte autorizada, e elaborar o modelo relacional normalizado dessas entidades, com restrições de integridade e responsáveis designados que sustentem os critérios de aceite da carga de dados do cutover.
Exposição dialogada em quatro blocos (governança corporativa, governança de dados, arquitetura corporativa e modelo relacional), cada um encerrado com a retomada de uma situação-problema de cadastro de cliente triplicado na carga de dados; e atividade em grupo sobre um processo do parceiro, que produz o recorte da arquitetura, o modelo relacional e a matriz de governança dos dados, submetidos a verificação cruzada por outro grupo.