Módulo 7 · Sistemas de Informação · Semana 6 · Aula 6

Gestão de Stakeholders

Material de leitura sobre identificação e registro das partes interessadas, análise de poder, interesse e saliência, estratégias de engajamento, plano de comunicação e condução da priorização diante de interesses conflitantes.

Sobre este encontro

Gestão de Stakeholders · 08/09/2026 · Prof. Afonso

Objetivo de aprendizagem

Ao final do encontro, o estudante deve ser capaz de identificar e registrar as partes interessadas do projeto do parceiro, classificá-las quanto a poder e interesse, avaliar o engajamento atual em relação ao desejado, definir a estratégia de engajamento correspondente a cada classificação, e conduzir a priorização de um requisito diante de interesses conflitantes, registrando o acordo obtido e sua justificativa.

Estratégia do encontro

Quiz de abertura com dez questões sobre a leitura prévia, cujo acerto por tema dirige a ênfase da exposição; exposição dialogada sobre registro das partes interessadas, poder, interesse, saliência e engajamento, encerrada nas estratégias por quadrante; e negociação simulada em três grupos, na qual cada integrante assume um papel e o grupo registra o acordo e os interesses preteridos.

Estrutura do encontro

  1. Daily: estado dos artefatos, atividade prevista e impedimentos — 15 min
  2. Quiz do encontro: dez questões de aplicação sobre a leitura prévia, com revelação comentada — 30 min
  3. Abertura: do comitê de mudanças da Aula 5 ao registro de partes interessadas — 5 min
  4. Identificação e registro: quem constitui parte interessada e conteúdo do registro — 6 min
  5. Análise: poder e interesse, saliência e engajamento atual em relação ao desejado — 8 min
  6. Engajamento: estratégia por quadrante conforme a lacuna observada — 4 min
  7. Negociação simulada em três grupos: papéis, priorização e registro do acordo — 47 min
  8. Fechamento: síntese das seis proposições e encaminhamento para a Aula 7 — 5 min

1. Como ler este material

A Aula 5 estabeleceu que toda alteração em ambiente produtivo é requisitada, avaliada, autorizada na alçada correspondente e revisada. O comitê simulado exigiu que cada grupo nomeasse o solicitante, o responsável técnico e o dono do processo, e declarasse quem seria impactado pela mudança.

Esse conjunto de pessoas nomeadas constitui um subconjunto de um universo mais amplo. Quem autoriza uma mudança possui poder formal sobre ela; quem é afetado possui interesse em seu resultado. As duas condições nem sempre coincidem, e a implantação que considera apenas a primeira tende a produzir decisões formalmente válidas e rejeitadas pela operação.

Este material trata da identificação desse universo, de sua classificação e das estratégias de engajamento correspondentes. A leitura precede o encontro: a atividade da segunda metade consiste em negociação simulada, na qual cada integrante assume o papel de uma parte interessada e defende os interesses associados a esse papel. A negociação pressupõe o repertório conceitual das seções 6 a 18.

Situação-problema do encontro

Aceite recusado na entrada em operação. Uma organização conclui a parametrização do módulo de compras de seu sistema de gestão. O usuário-chave designado pela área participou da reunião inicial de levantamento e, em seguida, delegou o acompanhamento a um analista da própria equipe, que respondeu às validações intermediárias e assinou as atas de homologação. Esse analista deixou a organização três semanas antes da data prevista para a virada. Na sessão de aceite, a área de compras recusa o processo parametrizado, alegando que a regra de aprovação de requisições por faixa de valor não corresponde à prática vigente e inviabiliza o atendimento de pedidos urgentes. A parametrização está tecnicamente correta e reproduz o que foi homologado. A virada é suspensa.

O caso é retomado ao final de cada bloco conceitual do encontro. As questões que o orientam: a homologação assinada por um representante delegado transfere a concordância da área? Em que momento a ausência do usuário-chave se tornou observável? Que registro, se mantido desde o início, permitiria detectá-la?

2. Quem constitui parte interessada

Entende-se por parte interessada o indivíduo, grupo ou organização que possa afetar, ser afetado por, ou perceber-se afetado por uma decisão, atividade ou resultado do projeto. A definição consta do PMBOK e amplia a formulação clássica de Freeman, para quem parte interessada é qualquer grupo ou indivíduo capaz de afetar ou de ser afetado pela realização dos objetivos da organização.

O terceiro termo da definição possui consequência prática relevante. A percepção de ser afetado produz comportamento efetivo, independentemente de o efeito se confirmar. Uma área que supõe perder autonomia com a implantação atua para retardá-la, e essa atuação constitui risco real do projeto ainda que a suposição seja infundada. O registro de partes interessadas contempla, portanto, quem se percebe afetado, e não apenas quem o é objetivamente.

Distinções necessárias

Usuário

Opera o sistema após a entrada em operação. Todo usuário é parte interessada; há partes interessadas que nunca operam o sistema, como a auditoria interna e o órgão regulador.

Patrocinador

Provê recursos e sustentação política ao projeto e responde por seu resultado perante a organização. Constitui parte interessada de poder máximo, com interesse concentrado no benefício declarado.

Cliente

Recebe o produto ou serviço afetado pelo processo implantado. Frequentemente externo à organização e ausente das reuniões de projeto, ainda que sofra o efeito da mudança.

Retomada do caso

No caso apresentado, o usuário-chave e o analista delegado pertencem à mesma área e possuem o mesmo interesse declarado. Não possuem, contudo, a mesma legitimidade para comprometer a área: o primeiro responde pelo processo, o segundo respondia por uma incumbência recebida. A distinção não foi registrada.

3. Técnicas de identificação

A identificação das partes interessadas é atividade dirigida, com técnica própria e critério de encerramento. O levantamento conduzido apenas por consulta ao organograma revela a hierarquia formal e deixa de fora quem detém interesse sem posição de comando, como o usuário final e a parte externa afetada.

TécnicaO que revelaLimite
Análise documental
organograma, normas, contratos, atas
Alçadas formais, responsabilidades declaradas, obrigações contratuais e partes citadas em decisão anterior.Registra a atribuição declarada, que pode divergir de quem exerce o papel na prática.
Percurso do processoQuem executa, aprova, recebe o resultado e é notificado em cada etapa do processo a ser alterado.Restringe-se ao processo mapeado; não alcança a parte afetada por efeito indireto.
Entrevista dirigidaInteresses em termos próprios da parte, restrições que ela reconhece e conflitos que já experimentou.Depende da disposição do entrevistado e reflete sua percepção do projeto.
Rastreamento por indicaçãoPartes não previstas, obtidas ao perguntar a cada entrevistado quem mais é afetado e quem pode impedir.Reproduz a rede de relações de quem indica, com as omissões dessa rede.
Oficina de identificaçãoDivergência entre áreas sobre quem decide o quê, explicitada na presença de todos.A parte de maior poder presente tende a condicionar o que as demais declaram.
Análise de projeto anteriorQuem recusou aceite, quem impôs impedimento tardio e quem foi omitido em implantações passadas na mesma organização.Exige registro histórico preservado e acessível à equipe.

Critério de encerramento do levantamento

O levantamento se encerra quando duas rodadas consecutivas de indicação não produzem nome novo, e quando cada etapa do processo alterado tem, para si, um executor, um aprovador e um afetado nomeados. O encerramento é registrado com data, porque a entrada de nova parte interessada após esse marco constitui informação relevante sobre a estabilidade do escopo.

Três perguntas que produzem nomes omitidos

Quem executa hoje a tarefa que o sistema passará a executar? Quem recebe o resultado do processo sem participar dele? Quem tem autoridade para interromper a virada e não foi consultado até agora? A terceira pergunta identifica a parte adormecida descrita na seção de saliência.

Retomada do caso

No caso deste encontro, o percurso do processo identificaria o comprador que executa a requisição urgente, parte afetada de forma direta pela regra de faixa de valor e ausente de todas as sessões de homologação. O levantamento foi conduzido por consulta à chefia da área, e o encerramento não foi registrado.

4. O registro de partes interessadas

O registro de partes interessadas é o artefato que consolida a identificação e a avaliação de cada parte. Além da função documental, constitui o instrumento que permite verificar, em qualquer momento do projeto, se a concordância obtida provém de quem detém legitimidade para concedê-la.

Conteúdo mínimo por parte interessada

IdentificaçãoNome, cargo, área e papel atribuído no projeto.
LegitimidadeAquilo que a parte tem autoridade para decidir, aprovar ou vetar, e o que não tem.
ExpectativaO resultado que a parte espera do projeto, em seus próprios termos.
Requisito principalA exigência concreta que decorre da expectativa e que o sistema deve atender.
ClassificaçãoPoder e interesse avaliados, com o quadrante resultante.
EngajamentoNível atual e nível desejado, com a lacuna entre ambos.
Fase de maior interesseMomento do projeto em que a parte se torna decisiva.
EstratégiaAção de engajamento definida e responsável por conduzi-la.

O registro é revisado a cada fase. A classificação de uma parte interessada não é atributo permanente: a área fiscal possui interesse reduzido durante a parametrização de compras e interesse máximo na véspera do primeiro fechamento após a virada.

5. Categorias na implantação de sistema de gestão

A implantação de um sistema integrado de gestão apresenta um conjunto recorrente de partes interessadas. A relação a seguir orienta a identificação inicial e não a substitui: cada organização apresenta partes específicas que somente o levantamento revela.

Parte interessadaInteresse predominanteConsequência de não a engajar
PatrocinadorRealização do benefício declarado no prazo e no orçamento acordados.Perda de prioridade do projeto na disputa por recursos e por decisão.
Comitê diretivoAderência do projeto à estratégia e resolução de conflitos entre áreas.Impasses entre áreas permanecem sem instância de decisão.
Dono do processoIntegridade do processo sob sua responsabilidade após a mudança.Processo parametrizado sem quem responda por sua correção.
Usuário-chaveCorrespondência entre o sistema e a prática efetiva de trabalho da área.Recusa no aceite e construção de rotinas paralelas ao sistema.
Usuário finalViabilidade de executar a própria tarefa com o sistema implantado.Contorno do sistema, retrabalho e degradação da qualidade do dado.
Área de controleConformidade com norma interna, legislação e requisito de auditoria.Impedimento tardio, quando a correção custa mais e atrasa a virada.
Tecnologia e sustentaçãoSustentabilidade técnica e capacidade de operar o que foi entregue.Solução entregue sem condições de manutenção após o projeto.
Integrador ou consultoriaCumprimento do escopo contratado e aceite formal da entrega.Divergência entre escopo contratual e necessidade efetiva da área.
Fornecedor do softwareUso do produto conforme padrão suportado e evolução de versão.Customização que impede atualização e amplia custo de manutenção.
Parte externa afetadaContinuidade da relação comercial ou operacional durante a transição.Interrupção percebida por cliente ou fornecedor externo à organização.
Retomada do caso

A área de compras figura no caso simultaneamente como dono do processo e como usuário-chave. A ausência de distinção entre os dois papéis no registro permitiu que a delegação a um analista fosse tratada como suficiente para ambos.

6. Análise por poder e interesse

A matriz de poder e interesse, atribuída a Mendelow, classifica as partes interessadas em duas dimensões. Por poder entende-se a capacidade de influir sobre o resultado do projeto, seja por autoridade formal, seja por controle de recurso necessário. Por interesse entende-se o grau em que a parte é afetada pelo resultado e, consequentemente, sua disposição a atuar.

Monitorar Poder baixo · interesse baixo Acompanhamento periódico, sem ação dedicada de engajamento. Manter informado Poder baixo · interesse alto Comunicação regular; a parte contribui com requisito e teste. Manter satisfeito Poder alto · interesse baixo Consulta nos pontos de decisão; evita-se sobrecarga de detalhe. Gerir de perto Poder alto · interesse alto Envolvimento direto na decisão e na validação de cada entrega. INTERESSE → PODER →
Matriz de poder e interesse. A posição da parte interessada determina a intensidade e a forma do engajamento. A classificação é revista a cada fase do projeto.

A matriz orienta a alocação de esforço. O engajamento consome tempo de reunião, de produção de comunicação e de validação, e esse tempo é finito. Tratar todas as partes com a mesma intensidade produz dois efeitos indesejados: as partes de poder e interesse elevados recebem atenção insuficiente, e as de baixo interesse recebem volume de informação que não consomem.

Retomada do caso

A área de compras ocupa o quadrante de gerir de perto: detém poder de veto sobre o aceite e interesse máximo no resultado. O tratamento efetivamente recebido foi o de manter informado, com validações intermediárias conduzidas por representante sem legitimidade para comprometer a área.

7. Escala de avaliação de poder e interesse

A objeção corrente à matriz de dois eixos é a subjetividade da atribuição: duas pessoas classificam a mesma parte em quadrantes distintos. A objeção se endereça declarando a escala e exigindo evidência documental para cada nota atribuída.

Poder

Capacidade de influir sobre o resultado

  • 1 — É informada das decisões, sem participação.
  • 2 — É consultada antes da decisão, sem poder de veto.
  • 3 — Aprova entrega ou etapa intermediária.
  • 4 — Aprova a entrada em operação do processo sob sua responsabilidade.
  • 5 — Interrompe o projeto, redefine escopo ou realoca o orçamento.

Evidência: norma de alçada, regimento do comitê, cláusula contratual, ata de decisão anterior.

Interesse

Extensão em que é afetada pelo resultado

  • 1 — Não sofre efeito identificável.
  • 2 — Sofre efeito indireto, por meio de outra área.
  • 3 — Tem tarefa própria alterada pelo sistema.
  • 4 — Responde por processo cuja regra é alterada.
  • 5 — Tem meta ou obrigação formal vinculada ao resultado do projeto.

Evidência: descrição do processo, meta acordada, requisito de auditoria, indicador sob sua responsabilidade.

Adota-se como alto o valor igual ou superior a 4 em cada eixo, o que determina o quadrante. A nota é acompanhada da evidência que a sustenta, e a divergência de avaliação entre membros da equipe se resolve pelo exame dessa evidência.

Parte interessada do casoPoderInteresseQuadranteEvidência da nota
Dono do processo de compras45Gerir de pertoAprova o aceite do processo; responde pelo indicador de atendimento de requisições.
Área de controle interno53Manter satisfeitoDetém impedimento formal sobre a virada por não conformidade de segregação de funções.
Comprador que executa a requisição15Manter informadoTarefa diária alterada pela regra de faixa de valor; sem alçada de aprovação.
Patrocinador54Gerir de pertoRealoca orçamento e responde pelo benefício declarado no caso de negócio.
Fornecedor do software22MonitorarConsultado sobre suporte a customização; sem efeito sobre o processo da área.
Efeito da escala sobre a decisão

O comprador que executa a requisição obtém interesse 5 e poder 1, o que o situa no quadrante de manter informado. A informação que ele detém sobre o atendimento de pedidos urgentes é decisiva para o requisito em disputa, e a classificação por si não a torna acessível. A obtenção dessa informação depende da estratégia de engajamento, tratada adiante, e não do quadrante.

8. Saliência: poder, legitimidade e urgência

O modelo de saliência de Mitchell, Agle e Wood acrescenta uma terceira dimensão à análise e explica fenômenos que a matriz de dois eixos não descreve. A saliência de uma parte interessada resulta da combinação de três atributos.

  • Poder: capacidade de impor sua vontade na relação com o projeto.
  • Legitimidade: reconhecimento de que sua reivindicação é apropriada e devida.
  • Urgência: exigência de atenção imediata, por sensibilidade temporal ou criticidade.

A presença de um único atributo caracteriza parte latente, cuja reivindicação tende a não ser atendida. A combinação de dois atributos caracteriza parte expectante, que demanda atenção efetiva. A presença dos três caracteriza a parte definitiva, cuja reivindicação é atendida com prioridade.

ClasseAtributosManifestação na implantação
AdormecidaPoderDiretoria de área não envolvida, capaz de interromper o projeto se acionada.
DiscricionáriaLegitimidadeUsuário final com reivindicação pertinente e sem canal para apresentá-la.
ExigenteUrgênciaDemanda pontual e insistente, sem autoridade nem pertinência ao escopo.
DominantePoder e legitimidadeDono do processo formalmente designado; instância ordinária de decisão.
DependenteLegitimidade e urgênciaÁrea impedida de operar que depende de terceiro com poder para ser atendida.
PerigosaPoder e urgênciaReivindicação imposta por coerção, sem pertinência reconhecida ao escopo.
DefinitivaOs três atributosÁrea de controle que identifica não conformidade na véspera da virada.
Consequência prática

A urgência é o atributo que se altera com maior rapidez. Uma parte dominante e estável converte-se em definitiva quando o prazo se aproxima, e passa a exigir atenção que o planejamento não previu. O registro de partes interessadas é revisado em função da fase precisamente por isso.

9. Modelos complementares de classificação

A matriz de poder e interesse e o modelo de saliência não esgotam a análise. Quatro modelos adicionais acrescentam dimensões que alteram a estratégia de engajamento, e o autoestudo indicado ao final deste material apresenta o conjunto aplicado à gestão de projetos.

ModeloDimensõesO que acrescentaQuando aplicar
Poder e interesse
Mendelow
Poder · interesse Aloca o esforço de engajamento entre as partes. Classificação inicial e revisão por fase.
Poder e dinamismo
Johnson e Scholes
Poder · previsibilidade da postura Identifica risco de mudança de posição: a parte de poder elevado e postura imprevisível é a que mais exige acompanhamento. Projeto com troca recente de gestão ou disputa entre áreas.
Influência e impacto Capacidade de alterar o rumo · extensão do efeito sofrido Separa quem muda o projeto de quem é mudado por ele, o que a leitura de poder e interesse tende a fundir. Definição de quem valida requisito e de quem recebe comunicação.
Cubo de partes interessadas
Murray-Webster e Simon
Poder · interesse · atitude Distingue, dentro do mesmo quadrante, a parte apoiadora da parte opositora; a combinação dos três eixos produz oito perfis, com estratégias distintas. Presença de oposição declarada ou de resistência ativa.
Direção de influência Ascendente · descendente · lateral · externa Indica o canal por onde a influência se exerce, e com isso quem deve conduzir a interlocução. Organização matricial e projeto que atravessa várias diretorias.

Atitude como terceira dimensão

O cubo de partes interessadas acrescenta a atitude aos dois eixos habituais. Duas partes de poder e interesse elevados recebem, na matriz de dois eixos, a mesma classificação de gerir de perto. A parte apoiadora nessa posição constitui aliada para sustentar a decisão diante de terceiros; a parte opositora na mesma posição constitui o principal risco de recusa tardia, e a ação pertinente a ela é a antecipação da objeção, e não a ampliação da comunicação.

PerfilPoder · interesse · atitudeAção pertinente
Salvador (saviour)Alto · alto · apoiadorEnvolvimento na decisão e uso da sua legitimidade junto às demais áreas.
Sabotador (saboteur)Alto · alto · opositorLevantamento da objeção antes da decisão e negociação por interesses.
Gigante adormecido (sleeping giant)Alto · baixo · apoiadorAcionamento pontual como sustentação política, sem sobrecarga de detalhe.
Bomba-relógio (time bomb)Alto · baixo · opositorMonitoramento e verificação de que a objeção não será apresentada na virada.
Amigo (friend)Baixo · alto · apoiadorParticipação em teste e em levantamento de requisito da própria tarefa.
Irritante (irritant)Baixo · alto · opositorEndereçamento do efeito da mudança sobre o próprio trabalho, conforme a seção de resistência.
Conhecido (acquaintance)Baixo · baixo · apoiadorComunicação periódica, sem ação dedicada; reavaliação quando a fase altera o interesse.
Armadilha (tripwire)Baixo · baixo · opositorMonitoramento, para identificar a objeção antes que se converta em impedimento na operação.
Escolha do modelo

Os modelos se acumulam: cada um acrescenta uma dimensão à classificação de base. A prática corrente adota poder e interesse como classificação de base, acrescenta saliência quando o prazo se aproxima e recorre à atitude quando há oposição declarada. O registro de partes interessadas acomoda as três leituras nos campos de classificação, de engajamento e de estratégia.

10. Engajamento atual e desejado

A classificação por poder e interesse indica quanto esforço dedicar a cada parte. Não indica, contudo, se o esforço aplicado está produzindo efeito. Para isso emprega-se a matriz de avaliação de engajamento, que registra, para cada parte, o nível de engajamento observado e o nível requerido pelo projeto.

NívelCaracterizaçãoEvidência observável
DesinformadoDesconhece o projeto e seus efeitos sobre o próprio trabalho.Não comparece, não pergunta, não menciona o projeto.
ResistenteConhece o projeto e opõe-se à mudança que ele produz.Questiona a necessidade, adia validação, escala objeções.
NeutroConhece o projeto e não se posiciona a favor nem contra.Cumpre o solicitado sem iniciativa nem obstrução.
ApoiadorFavorável ao projeto e ao resultado pretendido.Responde a validações no prazo, disponibiliza a equipe.
CondutorEnvolvido ativamente na obtenção do resultado.Antecipa impedimento, mobiliza pares, assume tarefa.

A lacuna entre o nível atual e o desejado constitui o objeto da estratégia de engajamento. Uma parte no quadrante de gerir de perto que se encontra em nível neutro, quando o projeto requer nível condutor, apresenta lacuna de duas posições e demanda ação dirigida. Registra-se a avaliação de forma explícita, com o nível atual e o desejado assinalados para cada parte, de modo que a lacuna seja visível e acompanhada ao longo das fases.

Retomada do caso

O usuário-chave do caso encontrava-se em nível neutro: cumpriu a reunião inicial e delegou o restante. O projeto requeria nível apoiador ou condutor de quem responde pelo aceite. A lacuna existia desde a segunda semana e não foi registrada, porque as atas de homologação assinadas foram tomadas como evidência de engajamento.

11. Estratégias de engajamento

A estratégia de engajamento decorre da combinação entre o quadrante ocupado pela parte e a lacuna de engajamento observada. As ações a seguir são as de aplicação mais frequente na implantação de sistemas de gestão.

Envolvimento na decisão

Atribuição de decisão efetiva à parte interessada, e não apenas de consulta. Aplica-se ao quadrante de gerir de perto. Produz compromisso e reduz a probabilidade de recusa tardia, ao custo de tempo de agenda de quem decide.

Validação com evidência

Homologação conduzida pela própria parte, com registro de quem executou o teste e do que foi verificado. Substitui a assinatura de ata pela demonstração de que o processo foi exercitado por quem responde por ele.

Consulta em ponto de decisão

Acionamento restrito aos momentos de escolha relevante. Aplica-se ao quadrante de manter satisfeito, no qual o excesso de detalhe tende a reduzir a disposição da parte a participar.

Escalonamento ao comitê

Submissão do impasse à instância com autoridade sobre as áreas em conflito. Aplica-se quando duas partes legítimas apresentam exigências incompatíveis e nenhuma detém autoridade sobre a outra.

Antecipação de controle

Convocação da área de controle na definição do requisito, e não na verificação final. Converte parte potencialmente definitiva em parte dominante e evita impedimento na véspera da virada.

Representação de parte ausente

Designação de responsável por sustentar, nas decisões do projeto, o interesse de parte que não participa das reuniões, como o cliente externo afetado pelo processo.

Critério de suficiência

A estratégia de engajamento é suficiente quando produz evidência verificável de participação de quem detém legitimidade. Presença em lista de distribuição, ciência registrada e assinatura de ata não constituem evidência de que o processo foi compreendido e aceito pela área.

12. Plano de comunicação

O plano de comunicação operacionaliza a estratégia de engajamento. Cada via de comunicação declara seis elementos, e a ausência de qualquer um deles inviabiliza a verificação posterior de que a comunicação ocorreu.

O que
Para quem
Por qual canal
Com que frequência
Quem produz

O sexto elemento é a evidência de recebimento, que responde pela verificação: registro de presença, resposta exigida, aceite formal ou execução observada de tarefa decorrente da comunicação.

ViaDestinatárioCanal e periodicidadeEvidência de recebimento
Estado do projeto e decisões pendentesPatrocinador e comitê diretivoReunião de comitê, quinzenalAta com decisão registrada e responsável designado
Resultado de validação e pendências da áreaDono do processo e usuário-chaveSessão de homologação, semanalRoteiro de teste executado e assinado por quem testou
Mudança de rotina e data da viradaUsuário finalComunicado e treinamento, por marcoRegistro de participação e exercício concluído
Aderência a norma e requisito de auditoriaÁrea de controleAnálise dirigida, por faseParecer formal com ressalvas endereçadas
Interrupção prevista e canal de contingênciaParte externa afetadaNotificação, antes da viradaConfirmação de ciência e contato alternativo acordado

13. Papéis próprios da implantação

A implantação de sistemas de gestão consolidou uma nomenclatura de papéis que atravessa fornecedores e metodologias. O domínio dessa nomenclatura é requisito para atuar no projeto e para interpretar a documentação do fornecedor.

Comitê diretivo

Instância que decide sobre escopo, prazo e prioridade entre áreas, e que resolve os impasses não solucionáveis no nível do projeto. Reúne-se em periodicidade fixa e registra decisão com responsável e prazo.

Dono do processo

Responde pela integridade do processo de negócio após a implantação. Aprova a parametrização que afeta o processo sob sua responsabilidade e responde por sua correção na operação.

Usuário-chave

Representa a prática efetiva de trabalho da área. Valida a correspondência entre o sistema parametrizado e a operação real, conduz o teste de aceite e atua como referência da área após a virada.

Sustentação pós-virada

Estrutura de atendimento prioritário nos primeiros ciclos de operação, designada por hypercare. Concentra a resolução de incidentes decorrentes da transição e alimenta a lista de ajustes.

Delegação de papel

A delegação do papel de usuário-chave é admissível quando registrada, com o escopo da delegação declarado e a validação final reservada ao titular. A delegação não registrada transfere a execução, mantém a responsabilidade com o titular e produz a situação descrita na situação-problema deste encontro.

14. Matriz de responsabilidades

A matriz de responsabilidades atribui, para cada atividade do projeto, o papel de cada parte interessada. A convenção de quatro atribuições é a de uso mais difundido.

  • Responsável pela execução: realiza a atividade.
  • Aprovador: responde pelo resultado e detém a decisão final. Admite-se um único aprovador por atividade.
  • Consultado: fornece informação ou parecer antes da conclusão.
  • Informado: recebe comunicação do resultado, sem participar da decisão.
AtividadeExecutaAprovaConsultaInforma
Definição da regra de negócioEquipe de projetoDono do processoUsuário-chave, área de controleUsuário final
Parametrização no sistemaEquipe técnicaEquipe de projetoFornecedor do softwareDono do processo
Teste de aceite do processoUsuário-chaveDono do processoEquipe de projetoComitê diretivo
Autorização da viradaEquipe de projetoComitê diretivoÁrea de controle, sustentaçãoTodas as partes
Falha detectável na matriz

No caso do encontro, o teste de aceite figura como executado pelo usuário-chave e aprovado pelo dono do processo. Ambos os papéis foram exercidos por representante delegado. A matriz declarava a atribuição correta; a execução não a observou, e não havia verificação que confrontasse uma com a outra.

15. Interesses conflitantes e priorização

O conflito entre partes interessadas legítimas constitui condição ordinária do projeto. A área de compras requer agilidade na aprovação de requisições; a área de controle requer segregação de funções e limite por faixa de valor. As duas exigências são pertinentes e mutuamente restritivas.

Exigências mutuamente restritivas não admitem atendimento simultâneo; a decisão se obtém por critério declarado, aplicado de forma explícita e registrada.

CritérioPergunta que respondePrevalência
Exigência legal ou regulatóriaA alternativa infringe norma externa à organização?Absoluta; não se submete a negociação.
Aderência ao business driverQual alternativa sustenta o benefício que justificou o projeto?Alta; vincula a decisão à justificativa do investimento.
Custo de reversãoQual decisão é mais onerosa de desfazer depois da virada?Alta em decisão estrutural, como modelo de dados.
Suporte do produto padrãoA alternativa exige customização que impede atualização?Média; ponderada contra o ganho operacional pretendido.
Alçada formalQuem detém autoridade para decidir na ausência de acordo?Decisória quando os critérios anteriores não distinguem.

Registro do acordo

A decisão de priorização é registrada com quatro elementos: a alternativa adotada, os interesses preteridos e sua fundamentação, a compensação acordada com a parte preterida e a condição que determinaria a revisão da decisão. O registro dos interesses preteridos, elemento omitido com maior frequência, permite retomar a discussão sem reabrir a negociação desde o início.

16. Negociação baseada em interesses

Os critérios de priorização da seção anterior determinam qual alternativa prevalece. A condução da discussão até a decisão constitui problema distinto, e a negociação por princípios, formulada por Fisher e Ury, fornece o método de aplicação mais difundida.

Posição declarada e interesse subjacente

A posição é a solução que a parte apresenta; o interesse é a necessidade que a solução pretende atender. Uma posição admite uma única forma de atendimento, e a discussão entre posições opostas termina em imposição ou em impasse. Um interesse admite mais de uma forma de atendimento, e a explicitação dos interesses amplia o conjunto de alternativas disponíveis.

PapelPosição declaradaInteresse subjacenteAlternativa sem acordo
Dono do processoLiberação imediata da requisição urgente.Atender o pedido urgente no prazo da operação, sem responder por atraso de abastecimento.Autoriza compra fora do sistema e regulariza depois.
Área de controleAprovação sequencial por faixa de valor, sem exceção.Demonstrar segregação de funções e rastreabilidade da aprovação em auditoria.Registra impedimento formal e a virada é suspensa.
PatrocinadorManter a regra homologada e a data da virada.Realizar o benefício declarado sem ampliação de orçamento nem novo adiamento.Sustenta a data e absorve a recusa da área no aceite.
Tecnologia e sustentaçãoRecusa da customização de fluxo paralelo.Preservar a capacidade de atualizar a versão e sustentar o que foi entregue.Aceita a customização e registra a restrição de atualização como risco.

A comparação entre as duas colunas centrais expõe o espaço de acordo. A posição do dono do processo e a da área de controle são incompatíveis; os interesses de atender o pedido no prazo e de demonstrar rastreabilidade admitem atendimento simultâneo, por alçada de exceção com registro e aprovação posterior em prazo definido.

Alternativa à falta de acordo

Cada parte dispõe de um curso de ação para o caso de a negociação não produzir acordo, e o valor dessa alternativa determina sua disposição a conceder. A parte cuja alternativa é vantajosa concede pouco. No caso deste encontro, a alternativa do dono do processo consiste em autorizar a compra fora do sistema. Ela é operacionalmente eficaz e explica sua baixa disposição a aceitar a regra homologada. A equipe de projeto que desconhece essa alternativa interpreta a recusa como resistência à mudança.

Quatro princípios do método

  • Separar a pessoa do problema: a divergência recai sobre a regra, e não sobre quem a defende.
  • Concentrar a discussão em interesses declarados, com cada parte enunciando o seu.
  • Produzir alternativas antes de decidir, sem compromisso imediato com nenhuma.
  • Decidir por critério objetivo, aplicável independentemente de quem o invoca.

Táticas de saída de impasse

  • Divisão do requisito: separar o tratamento da urgência do tratamento da faixa de valor.
  • Ampliação da pauta: incluir item de interesse da parte preterida, negociável em conjunto.
  • Acordo condicionado: adotar a alternativa com condição de revisão declarada e prazo de verificação.
  • Escalonamento: submeter a decisão à alçada com autoridade sobre as duas áreas.
Aplicação na atividade do encontro

Na preparação da negociação simulada, cada integrante declara por escrito a posição, o interesse que a sustenta e a alternativa de que dispõe na falta de acordo. A análise coletiva ao final verifica se o acordo obtido atendeu interesses ou apenas compôs posições.

17. Resistência e adoção

A Aula 5 apresentou a transição individual como percurso de consciência, desejo, conhecimento, capacidade e reforço. A resistência manifesta-se quando o percurso é interrompido, e a etapa em que se interrompe determina a ação corretiva pertinente.

Manifestação observadaEtapa interrompidaAção pertinente
Questionamento da necessidade da mudançaConsciênciaExplicitar a razão de negócio e a consequência da inação.
Concordância declarada sem adesão efetivaDesejoEndereçar o efeito da mudança sobre o interesse da parte.
Erro recorrente na execução do processo novoConhecimentoCapacitação dirigida à tarefa e ao papel específicos.
Execução correta em treinamento e não em operaçãoCapacidadeAcompanhamento em posto de trabalho durante a sustentação.
Retorno à rotina anterior após semanasReforçoIndicador de uso acompanhado e reconhecimento da adoção.
Resistência como informação

A objeção apresentada por parte interessada legítima contém informação sobre o processo que a equipe de projeto não detém. A recusa da área de compras no caso deste encontro identifica uma incompatibilidade real entre a regra parametrizada e o atendimento de pedidos urgentes. A informação estava disponível desde o levantamento e não foi obtida porque quem a detinha não participou.

18. Legitimidade, ética e sustentabilidade

A análise conduzida até aqui trata as partes interessadas pela capacidade de afetar o projeto. Essa leitura é instrumental e responde à pergunta sobre onde alocar esforço. Ela deixa em aberto a pergunta sobre a quem o projeto deve consideração, cuja resposta não decorre do poder que a parte detém.

Duas formulações sobre a finalidade da organização

A formulação da primazia do acionista, associada a Friedman, atribui à organização a responsabilidade de maximizar o retorno do proprietário do capital, observados a lei e os costumes. A teoria das partes interessadas, formulada por Freeman, atribui à organização responsabilidade perante o conjunto de partes cuja contribuição sustenta sua existência: acionistas, empregados, clientes, fornecedores e comunidade. A segunda formulação fundamenta a prática de gestão descrita neste material e é o objeto do autoestudo indicado ao final.

Legitimidade normativa e legitimidade derivada

A distinção organiza o tratamento das partes. A legitimidade normativa cabe à parte cuja reivindicação é devida em razão de sua contribuição ou do efeito que sofre, com independência do poder que detenha: o usuário final cuja tarefa é alterada possui reivindicação devida ainda que não disponha de canal para apresentá-la. A legitimidade derivada cabe à parte cuja reivindicação recebe atenção em razão do poder de impor consequência ao projeto. O modelo de saliência descreve o comportamento observado das organizações; a distinção acima informa o comportamento devido.

DimensãoPergunta de verificaçãoManifestação na implantação de sistema de gestão
EconômicaO benefício declarado se realiza e para quem se distribui?Ganho de eficiência apropriado pela organização, com o esforço de transição recaindo sobre a operação.
Social e trabalhoA mudança altera a carga, a autonomia ou a qualificação exigida de quem executa?Tarefa que passa a exigir registro adicional sem revisão do tempo disponível para executá-la.
Dado pessoalQue dado de pessoa identificável o processo passa a coletar, e com que finalidade declarada?Perfil de acesso que expõe dado de empregado ou de cliente além do necessário à tarefa.
AcessibilidadeO processo permanece executável por quem tem limitação sensorial ou motora?Interface homologada apenas com usuários sem restrição de acessibilidade.
Cadeia de fornecimentoQue efeito a nova regra produz sobre fornecedor de menor porte?Exigência de integração eletrônica que o fornecedor pequeno não tem condição de atender.
AmbientalA decisão altera consumo, descarte ou emissão associados ao processo?Substituição de fluxo físico por digital, com efeito sobre descarte de equipamento.

Partes sem voz no projeto

Determinadas partes afetadas não participam das reuniões e não dispõem de representante espontâneo: o cliente externo, o fornecedor de menor porte, a comunidade e, nas decisões de maior alcance, quem sofrerá o efeito em prazo longo. A estratégia de representação de parte ausente, descrita entre as estratégias de engajamento, é o mecanismo que lhes atribui sustentação nas decisões do projeto. A designação do representante é registrada com o interesse que lhe cabe sustentar.

Teste de publicidade da decisão

Uma decisão de priorização admite verificação ética por pergunta simples: ela suportaria ser comunicada, com sua fundamentação integral, a todas as partes afetadas por ela? A decisão que depende de não ser conhecida por uma das partes indica interesse preterido sem fundamentação declarada, situação que o registro do acordo, descrito na seção de interesses conflitantes, tem por função tornar visível.

Retomada do caso

No caso deste encontro, o comprador que executa a requisição urgente reúne legitimidade normativa e poder mínimo. Sua reivindicação, que consiste na viabilidade de executar a tarefa no tempo da operação, é devida e não foi apresentada em nenhuma sessão. O contorno do sistema após a virada é a forma pela qual essa reivindicação se manifesta na ausência de canal.

19. Atividade do encontro

Negociação simulada de priorização, com quarenta e sete minutos de duração, em três grupos que negociam em paralelo. Os três grupos negociam o mesmo requisito, retomado da situação-problema deste material. Cada integrante assume o papel de uma parte interessada e sustenta a posição associada a esse papel.

Etapas

TempoEtapaProduto
8 minDistribuição de papéis e preparaçãoCada integrante recebe um papel e declara, por escrito, o interesse que defenderá e o que não admite conceder.
25 minNegociação da priorizaçãoO grupo escolhe entre as três alternativas do caso, com o critério de priorização nomeado no momento em que é invocado.
7 minRegistro do acordoAlternativa adotada, interesses preteridos com fundamentação, compensação acordada e condição de revisão.
7 minAnálise coletivaCerca de dois minutos por grupo, com a identificação do critério que determinou a decisão, do papel cuja ausência teria alterado o resultado e do requisito de conflito equivalente no projeto do parceiro.

Requisito em disputa

Como o sistema deve tratar a aprovação de requisição de compra urgente cujo valor excede a alçada do solicitante. A regra homologada exige aprovação sequencial por faixa de valor, e é essa regra que a área de compras recusou na sessão de aceite, por inviabilizar o atendimento de pedidos urgentes.

AlternativaConteúdoObjeção previsível
AManter a regra homologada, com aprovação sequencial por faixa de valor e sem exceção.O pedido urgente aguarda a alçada competente e a operação recorre a contorno fora do sistema.
BAlçada de exceção: liberação imediata pelo dono do processo, com aprovação formal posterior em prazo definido.A aprovação posterior enfraquece a segregação de funções exigida pela área de controle.
CFluxo paralelo de urgência, por customização que cria trilha própria fora do fluxo padrão.A customização consome orçamento encerrado e compromete a atualização de versão do produto.

São dadas três restrições que não se negociam: a virada ocorre em três semanas, o orçamento do projeto está encerrado e a customização compromete a atualização de versão. Nenhuma alternativa atende simultaneamente a todas as exigências, e a decisão depende do critério da seção 15 que o grupo invocar.

Papéis a distribuir

Os papéis são atribuídos conforme o número de integrantes, observada a ordem a seguir. O papel de dono do processo e o de área de controle são obrigatórios, por sustentarem o conflito que estrutura a negociação.

  1. Dono do processo: responde pela integridade do processo e requer que a regra corresponda à prática da área.
  2. Área de controle: requer segregação de funções, limite por alçada e rastreabilidade da aprovação.
  3. Patrocinador: requer a realização do benefício declarado na data acordada, sem ampliação de orçamento.
  4. Usuário final: requer que a tarefa permaneça executável no tempo disponível da operação.
  5. Tecnologia e sustentação: requer solução mantida no padrão do produto e sustentável após o projeto.
  6. Parte externa afetada: requer continuidade do atendimento durante a transição.

Critérios de avaliação

CritérioPontosO que se espera
Sustentação do papel2O interesse defendido corresponde ao papel assumido, com legitimidade e limites declarados.
Uso do critério de priorização3A decisão invoca critério explícito da seção 15, aplicado de forma coerente ao caso.
Registro do acordo3Os quatro elementos estão presentes, com os interesses preteridos e sua fundamentação.
Transposição ao projeto2O grupo identifica no próprio projeto o requisito de conflito equivalente e indica como o acordo se aplicaria a ele.
  • Cada integrante declarou por escrito a posição e o limite antes do início da negociação.
  • A alternativa adotada foi escolhida entre as três do caso, com o critério nomeado.
  • O acordo registra os interesses preteridos, e não apenas a alternativa adotada.
  • A condição de revisão da decisão está declarada em termos verificáveis.
  • O requisito equivalente no projeto do parceiro está identificado.

20. Falhas recorrentes

Registro produzido e não revisado

O registro de partes interessadas é elaborado no início do projeto e não se atualiza. A classificação perde correspondência com a fase, e partes que se tornaram decisivas continuam tratadas como periféricas.

Presença tomada como engajamento

Lista de distribuição, registro de presença e assinatura de ata são tratados como evidência de aceitação. Nenhum deles demonstra que o processo foi exercitado por quem responde por ele.

Delegação sem registro

O titular do papel transfere o acompanhamento sem que o escopo da delegação e a reserva da validação final sejam declarados. A responsabilidade permanece com o titular e a informação não chega a ele.

Controle acionado ao final

A área de controle é convocada para verificação em vez de participar da definição do requisito. O impedimento surge quando a correção é mais onerosa e a data de virada já está comprometida.

Conflito tratado por consenso

Exigências incompatíveis são submetidas a discussão sem critério declarado nem alçada de decisão. A negociação se prolonga e a decisão recai sobre quem apresenta maior insistência.

Parte externa não representada

Cliente ou fornecedor afetado pelo processo não participa das reuniões e não tem quem sustente seu interesse. O efeito da transição sobre ele é constatado depois da virada.

21. Autoestudos

Os dois materiais a seguir aprofundam eixos deste encontro e são de consulta recomendada antes da negociação simulada.

Artigo · PMKB

Análise e classificação dos stakeholders para gestão de projetos

Percorre os modelos de análise e classificação aplicados ao gerenciamento de projetos, com as dimensões de poder, interesse, influência e impacto.

O que extrair: o repertório de modelos da seção de classificação complementar e o critério para escolher entre eles conforme a característica da organização.

Curso · Coursera

Gestão de stakeholders, ética e sustentabilidade empresarial

Trata a gestão das partes interessadas em articulação com a responsabilidade da organização e com as dimensões social e ambiental de suas decisões.

O que extrair: a fundamentação da teoria das partes interessadas e o tratamento devido às partes afetadas que não dispõem de poder, objeto da seção de legitimidade e sustentabilidade.

Uso na atividade

O primeiro material sustenta a classificação das partes do projeto do parceiro no artefato do grupo. O segundo sustenta a identificação dos interesses preteridos no registro do acordo, um dos dois itens de maior peso entre os critérios de avaliação da negociação.

22. Referências

  • Autoestudo — PMKB. Análise e classificação dos stakeholders para gestão de projetos, modelos de análise e classificação aplicados ao gerenciamento de projetos.
  • Autoestudo — Coursera. Gestão de stakeholders, ética e sustentabilidade empresarial, curso sobre engajamento das partes interessadas e suas dimensões ética, social e ambiental.
  • PMBOK — áreas de conhecimento de gerenciamento das partes interessadas e das comunicações.
  • FISHER, R.; URY, W. — negociação por princípios: posição, interesse e alternativa à falta de acordo.
  • JOHNSON, G.; SCHOLES, K. — matriz de poder e dinamismo na análise de partes interessadas.
  • MURRAY-WEBSTER, R.; SIMON, P. — cubo de partes interessadas, com poder, interesse e atitude.
  • FRIEDMAN, M. — formulação da primazia do acionista, em contraposição à qual se desenvolve a teoria das partes interessadas.
  • ISO 21502 — orientações para gerenciamento de projetos, com engajamento de partes interessadas.
  • FREEMAN, R. E. — abordagem das partes interessadas na gestão estratégica.
  • MENDELOW, A. — matriz de poder e interesse na análise de partes interessadas.
  • MITCHELL, R. K.; AGLE, B. R.; WOOD, D. J. — teoria de identificação e saliência das partes interessadas.
  • Prosci — modelo ADKAR de mudança individual, em articulação com a Aula 5.
  • COBIT 2019 — matriz de papéis e responsabilidades em governança de tecnologia da informação.
  • SAP — papéis de usuário-chave, comitê diretivo e sustentação em projetos de implantação.