A Jornada dos Dados
Da fonte ao insight: como transformar dados em decisões
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O que vamos descobrir juntos

Como empresas como Netflix, Nubank, Uber, Spotify e seguradoras transformam dados brutos em decisões concretas — e o que isso significa para o setor de seguros.

Data-Driven Casos Reais Tomada de Decisão Cardif
Agenda
O caminho do dado à decisão — 2 horas

Bloco 1 — Mentalidade (20 min)

  • Decisão data-driven vs intuição
  • Os 4 níveis de maturidade analítica
  • Casos: Moneyball, Kodak, Netflix, Zara

Bloco 2 — Processo e Arquitetura (25 min)

  • O pipeline: do dado bruto ao insight
  • Caso: NASA — quando dados errados matam
  • Medallion, Big Data e visualização

Bloco 3 — Ferramentas e Times (30 min)

  • SQL, Python e Machine Learning
  • Times de dados: quem faz o quê
  • GenAI e dados: realidade vs hype
  • Plataformas avançadas: o horizonte

Bloco 4 — Impacto e Riscos (25 min)

  • Dados no mercado de seguros (Cardif)
  • Vazamentos e falhas de dados reais
  • Quando a IA dá errado
  • Cultura data-driven e carreira

Q&A (20 min)

Por que dados importam?
Duas empresas, duas decisões, dois destinos

Kodak — ignorou os dados

Em 1975, a Kodak inventou a câmera digital. Seus próprios engenheiros previram que a fotografia digital substituiria o filme. A liderança decidiu ignorar os dados e proteger o negócio de filme.

Resultado: Falência em 2012. Perdeu um mercado que ela mesma criou.

Netflix — seguiu os dados

Em 2007, a Netflix era uma empresa de envio de DVDs pelo correio. Os dados mostravam que streaming seria o futuro. Reed Hastings apostou tudo na transição — mesmo sabendo que mataria o próprio negócio de DVDs.

Resultado: 260 milhões de assinantes. Valor de mercado: US$ 300 bilhões.

A mesma lição

Ambas tinham os dados. A diferença foi o que fizeram com eles. Dados não tomam decisões — pessoas tomam. Mas pessoas que ignoram dados tomam decisões piores.

Decisão Data-Driven vs Decisão por Intuição
A diferença que separa empresas que crescem das que estagnam
Dimensão "eu acho que..." "os dados mostram..."
Base Experiência pessoal, feeling Evidências mensuráveis
Velocidade Rápida (mas arriscada) Mais lenta (mas fundamentada)
Escalabilidade Depende de uma pessoa Qualquer pessoa com acesso decide
Viés Alto — confirma o que já acreditamos Reduzido — dados desafiam suposições
Aprendizado Difícil de replicar e melhorar Cada decisão gera dados para a próxima

Não é "dados OU intuição". Os melhores líderes combinam os dois. Dados informam, experiência contextualiza. Mas quando há conflito, empresas data-driven escolhem os dados.

Caso: Moneyball — dados vencem talento
Oakland Athletics, 2002

O problema

O Oakland A's tinha o 3o menor orçamento do baseball americano. Perdeu 3 jogadores-estrela para times ricos. Precisava montar um time competitivo gastando 3x menos que o New York Yankees.

A decisão tradicional

Olheiros veteranos avaliavam jogadores "no olho" — velocidade, postura, carisma. Critérios subjetivos que os grandes times já usavam (e pagavam caro).

A decisão data-driven

O gerente Billy Beane contratou o analista Paul DePodesta (formado em economia por Harvard). Em vez de confiar em olheiros, usaram estatísticas que ninguém olhava: OBP (on-base percentage) e slugging.

Contrataram jogadores rejeitados por outros times — baratos, mas estatisticamente eficientes.

O resultado

20 vitórias consecutivas — recorde da liga. Chegaram aos playoffs gastando US$ 44M contra US$ 125M do Yankees.

Lição: Dados encontram valor onde a intuição não enxerga. Hoje, todo time profissional de esportes tem um departamento de analytics.

Os 4 Níveis de Maturidade Analítica
Bloco 1 — Cada degrau agrega mais valor (e mais complexidade)

Descritiva

"O que aconteceu?"

Relatórios, dashboards, KPIs.

90% das empresas

Diagnóstica

"Por que aconteceu?"

Drill-down, correlações, causa raiz.

~50% das empresas

Preditiva

"O que vai acontecer?"

Modelos estatísticos, ML.

~20% das empresas

Prescritiva

"O que fazer?"

Otimização, recomendação.

~5% das empresas

Exemplo com a mesma pergunta

Descritiva: "O churn foi de 15% no Q3." → Diagnóstica: "Porque o suporte atrasou no plano básico." → Preditiva: "30% dos clientes atuais do plano básico vão cancelar nos próximos 90 dias." → Prescritiva: "Ofereça upgrade gratuito por 3 meses para os 200 clientes com maior risco — ROI estimado de 4:1."

Caso: Spotify Wrapped
Analytics Descritiva que virou fenômeno cultural

O que é

Todo dezembro, o Spotify transforma dados de uso de cada usuário em uma experiência visual compartilhável: "Você ouviu Taylor Swift 342 vezes — mais que 98% dos usuários."

Por que é brilhante

  • É analytics descritiva pura — soma, contagem, ranking
  • Mas é entregue como storytelling pessoal
  • Cada usuário vira embaixador da marca ao compartilhar
  • Marketing gratuito: milhões de posts nas redes sociais

Os dados por trás

Dado coletadoInsight gerado
Músicas ouvidasTop 5 artistas do ano
Minutos de escuta"Você ouviu 45.000 min"
Horários de uso"Suas noites são de MPB"
Gêneros"Sua aura musical é..."
Comparação com outros"Top 1% fã de..."

Impacto

60 milhões de shares em stories. Downloads do app sobem 21% em dezembro.

Caso: Magazine Luiza
Analytics Diagnóstica — investigando a queda de vendas (1/2)

A situação

O time de analytics detecta que vendas online caíram 12% num determinado mês. O dashboard descritivo mostra a queda — mas não explica por quê. É hora de investigar.

O drill-down data-driven

EtapaPerguntaDescoberta
1Queda em quais categorias?Concentrada em eletrônicos (-28%)
2Queda em quais regiões?Sul e Sudeste mais afetados
3Mudou algo no site?Bug no link de pagamento de eletrônicos por 5 dias
4ConfirmaçãoCarrinho abandonado subiu 340% no período do bug
Caso: Magazine Luiza — Sem dados vs Com dados
Analytics Diagnóstica — investigando a queda de vendas (2/2)

Depois do drill-down, a empresa tem um caminho claro de ação. Sem esse processo, a decisão vira chute — e o chute vira prejuízo em cascata.

Sem dados

"As vendas caíram, deve ser a economia." → Corta investimento em marketing → Vendas caem mais.

Com dados

"Bug no checkout." → Corrige em 2h → Vendas voltam ao normal na semana seguinte.

Caso: Nubank — Score de Crédito
Analytics Preditiva — estimando o futuro com dados do passado

O problema

Quando você pede aumento de limite, o Nubank precisa decidir em milissegundos: "Essa pessoa vai pagar ou vai ficar inadimplente?"

Decisão errada para um lado: perde clientes bons. Para o outro: acumula inadimplência.

A solução data-driven

Um modelo de Machine Learning analisa centenas de variáveis e gera um score de risco para cada cliente:

  • Histórico de pagamentos
  • Padrão de gastos (valores, categorias, horários)
  • Tempo como cliente
  • Renda estimada
  • Comportamento no app

Como funciona na prática

PerfilScoreDecisão automática
2 anos de conta, paga em dia, renda estável920Aumento aprovado
6 meses, atrasou 2x, gastos erráticos480Limite mantido
1 ano, paga mínimo, renda caiu610Aumento pequeno

Resultado

O Nubank tem 90+ milhões de clientes e uma das menores taxas de inadimplência do setor. Sem modelos preditivos, seria impossível aprovar crédito para essa escala.

Caso: Uber — Preço Dinâmico
Analytics Prescritiva — o sistema decide a ação, não apenas prevê

O problema

Às 18h de uma sexta chuvosa, milhares de pessoas pedem Uber ao mesmo tempo. Não há motoristas suficientes.

  • Preço fixo: Fila de espera de 40 min, usuários frustrados
  • Preço alto demais: Passageiros desistem, motoristas sem corrida

O que a Uber faz

O algoritmo calcula em tempo real o preço exato que equilibra oferta e demanda. Não é previsão — é prescrição: "cobre 1.8x nessa região agora."

O ciclo prescritivo

  1. Coleta: Demanda atual, motoristas disponíveis, clima, eventos
  2. Previsão: "Demanda vai exceder oferta em 15 min nessa região"
  3. Prescrição: "Aplicar multiplicador de 1.8x"
  4. Efeito: Preço sobe → mais motoristas vão para a região → equilíbrio
  5. Feedback: O sistema ajusta o multiplicador a cada 2 minutos

Diferença-chave

Preditiva: "Vai chover e a demanda vai subir."

Prescritiva: "Cobre R$ 32 em vez de R$ 18, e mande push para motoristas a 3km."

Caso: Zara — Fast Fashion por Dados
Do design à loja em 2 semanas (vs 6 meses da indústria)

Como funciona

Cada loja Zara envia dados diários para a matriz na Espanha:

  • Vendas por SKU, cor, tamanho
  • Devoluções e motivos
  • Feedback verbal dos clientes (registrado por vendedores)
  • O que as pessoas experimentam mas não compram

Modelos de dados identificam tendências em tempo real: "Vestidos verdes estão vendendo 40% acima do esperado em Milão e Paris."

A decisão data-driven

Em vez de planejar coleções com 6 meses de antecedência (como a indústria faz), a Zara:

  1. Lança pequenos lotes para testar
  2. Mede a resposta em tempo real
  3. Produz mais do que vende, descontinua o que não vende
  4. Design → fábrica → loja em 2-3 semanas

Resultado

A Inditex (dona da Zara) é a maior varejista de moda do mundo. Margens superiores à indústria. Quase zero liquidação (porque produz o que sabe que vai vender).

Arquitetura de um Pipeline de Dados
Bloco 2 — Como um relatório nasce: do sistema fonte ao dashboard

O caminho do dado até o relatório

1
Fontes
ERP, CRM, APIs
bancos, planilhas
2
Ingestão (ELT)
Fivetran, Airbyte
Azure Data Factory
3
Lake / Warehouse
Azure Data Lake
Fabric, BigQuery
4
Transformação
dbt, Spark
Dataflow
5
Visualização
Power BI, Metabase
Tableau

ETL vs ELT — a mudança moderna

ETL (antigo): Extrair, Transformar, depois Carregar. Transformação antes de salvar.

ELT (moderno): Extrair, Carregar bruto, depois Transformar. Guarda tudo primeiro, limpa depois — mais flexível e escalável.

Por que isso importa?

Quando um gerente abre o Power BI e vê "Vendas: R$ 2.3M", esse número passou por todo esse pipeline. Se qualquer etapa falhar — dados duplicados, transformação errada, ingestão atrasada — o relatório mente. E decisões são tomadas em cima dele.

Arquitetura Medallion (Bronze / Silver / Gold)
Bloco 2 — O padrão usado por Netflix, Uber, e Microsoft Fabric

A arquitetura Medallion organiza os dados em 3 camadas de qualidade crescente. É o padrão adotado por Microsoft Fabric, Databricks e a maioria das empresas modernas de dados.

Bronze (Raw)

Dado bruto, como chegou da fonte. Sem limpeza nem transformação.

  • JSONs de APIs, CSVs importados
  • Logs de sistemas
  • Duplicatas incluídas

Regra: nunca alterar — é o backup histórico.

Silver (Cleaned)

Dado limpo e padronizado. Duplicatas, tipos e nulos tratados.

  • Tabelas normalizadas, chaves consistentes
  • Formatos padronizados
  • Validações aplicadas

Regra: confiável para análise exploratória.

Gold (Business-Ready)

Dado pronto para consumo. Agregações, métricas, KPIs e modelos dimensionais.

  • Fatos e dimensões (star schema)
  • Métricas de negócio prontas
  • Otimizado para dashboards (Power BI)

Regra: é o que o gerente vê no dashboard.

Na prática: Bronze = o CSV que o Fivetran trouxe do ERP. Silver = a tabela limpa pelo dbt. Gold = a view agregada que alimenta o dashboard de vendas no Power BI. Cada camada tem dono, qualidade e propósito diferente.

Big Data — Os 5 Vs
Bloco 2 — Por que precisamos de engenharia séria para dados (1/2)

Os 5 Vs do Big Data

VSignificadoExemplo real
VolumeQuantidade massivaUber processa 1 PB/dia de dados de viagens
VelocidadeDados chegam em tempo realBolsa de valores: milhões de ordens/segundo
VariedadeTipos diferentesTexto, imagem, JSON, tabelas, sensores
VeracidadeDados podem ser imprecisosGPS com erro de 10m, dados duplicados
ValorSó importa se gera insight1TB de log sem análise = custo de storage

Por que Big Data importa para você? Mesmo que sua empresa não tenha petabytes, os princípios (volume, velocidade, variedade...) se aplicam na hora de dimensionar pipelines, storage e ferramentas.

Idempotência e Consistência
Bloco 2 — Por que precisamos de engenharia séria para dados (2/2)

Idempotência — a regra de ouro

Um pipeline idempotente gera o mesmo resultado se executado 1x ou 100x. Parece simples, mas é o erro mais comum em dados:

  • Sem idempotência: Reprocessar o pipeline duplica as vendas no relatório → gerente acha que vendeu o dobro
  • Com idempotência: Reprocessar sobrescreve — resultado sempre consistente

Consistência — uma fonte única da verdade

Se o dashboard de vendas mostra R$ 2.3M, o relatório financeiro, o email do CEO e a planilha do controller precisam mostrar o mesmo número. "Fonte única da verdade" é o mantra.

Idempotência + Consistência + camadas de qualidade (Medallion) se aplicam mesmo em empresas pequenas. Uma planilha compartilhada no Google Sheets sem controle de versão já é um problema de consistência.

Ferramentas: Ingestão de Dados
Bloco 2 — Como os dados chegam (1/2)

Ingestão de Dados (ELT)

Movem dados dos sistemas de origem (ERP, CRM, apps, APIs) para o lake ou warehouse. A letra "E" = Extract e "L" = Load; o "T" (Transform) fica para depois, já dentro do destino.

FerramentaO que fazDestaque
Azure Data FactoryOrquestra pipelines de dados na nuvem MicrosoftIntegrado ao ecossistema Azure/Fabric. Escolha #1 para empresas Microsoft
FivetranConecta 500+ fontes de dados com zero códigoSetup em minutos, 100% managed. Usado por Notion, Square, Canva
AirbyteAlternativa open source ao Fivetran350+ conectores, pode rodar on-premise. Ideal para orçamento menor
Ferramentas: Bancos Analíticos
Bloco 2 — Onde os dados ficam para análise (2/2)

Bancos Analíticos (OLAP)

FerramentaDestaqueUsado por
ClickHouseBanco colunar ultra-rápido. Queries em bilhões de linhas em segundosUber, Cloudflare, eBay
Azure SynapseData warehouse nativo do Azure. Integrado ao Fabric e Power BIEmpresas com stack Microsoft
BigQueryServerless do Google. Paga por query, escala automáticaSpotify, Twitter, Mercado Livre

ClickHouse na Azure: Pode ser provisionado via Azure Marketplace (ClickHouse Cloud), como container no AKS (Kubernetes), ou em VMs dedicadas. Ideal para queries sub-segundo em bilhões de registros — cenário comum em logs, IoT e analytics de produto.

Ferramentas: Visualização e BI
Bloco 2 — Onde o dado vira dashboard e decisão (1/2)

Panorama das ferramentas de BI

FerramentaDestaqueQuando escolher
Power BI + Microsoft FabricEcossistema completo: ingestão, lake, warehouse, dashboards e ML — tudo integradoStack Microsoft — 90% do mercado brasileiro
MetabaseOpen source, SQL nativo, interface limpa. Deploy em 5 min com DockerStartups, times técnicos, orçamento limitado
TableauVisualizações avançadas, UX intuitiva, Tableau Public gratuitoStorytelling visual avançado
Apache SupersetOpen source, SQL Lab, criado pelo AirbnbTimes de engenharia que querem controle total
Duas apostas distintas: Fabric vs Metabase
Bloco 2 — Plataforma unificada vs BI democrático (2/2)

Microsoft Fabric — a plataforma unificada

A aposta da Microsoft para unificar todo o pipeline num só produto:

  • Data Factory → ingestão
  • OneLake → data lake
  • Synapse → warehouse
  • Power BI → visualização

Arquitetura Medallion nativa. É a tendência do mercado brasileiro.

Metabase — o BI democrático

Conecta direto ao banco (PostgreSQL, MySQL, ClickHouse) e permite criar dashboards sem saber SQL — mas também tem SQL nativo para quem quer.

Open source e gratuito. Deploy com um comando Docker. Usado pelo Nubank, Creditas e centenas de startups brasileiras.

Caso: NASA — Quando dados errados custam US$ 125 milhões
Mars Climate Orbiter, 1999

O que aconteceu

A sonda Mars Climate Orbiter da NASA foi lançada para estudar o clima de Marte. Custou US$ 125 milhões. Após 9 meses de viagem, a sonda entrou na atmosfera marciana no ângulo errado e se desintegrou.

A causa

Um time da Lockheed Martin enviava dados de propulsão em libras-força (sistema imperial). A equipe da NASA recebia esperando newtons (sistema métrico). Ninguém validou a unidade.

A lição para análise de dados

  • Validação de dados é crítica: Nunca assuma que os dados estão corretos
  • Unidades e formatos: "SP" vs "São Paulo" vs "sp" — mesma coisa para humanos, três valores diferentes para o computador
  • Documentação: Sem dicionário de dados, cada pessoa interpreta de um jeito
  • Revisão cruzada: Se ninguém confere, erros passam

No dia a dia corporativo

Você não vai perder uma sonda. Mas pode tomar uma decisão de R$ 1 milhão baseada em dados com unidades erradas, datas trocadas ou duplicatas não tratadas.

Visualização: dados que contam histórias
Bloco 2 — O gráfico certo muda a decisão
Você quer mostrar...UseExemplo real
Comparar categoriasBarrasVendas por região no trimestre
Evolução no tempoLinhasFaturamento mensal nos últimos 2 anos
DistribuiçãoHistograma / Box plotDistribuição de salários dos funcionários
Relação entre 2 variáveisDispersão (scatter)Preço vs demanda de um produto
Proporção (poucas partes)Pizza / DonutMarket share de 4 concorrentes

Regra dos 5 segundos

Um gráfico bom é entendido em 5 segundos. Se precisa de explicação, está complexo demais. Remova ruído visual, destaque o insight principal.

Título que conta a história

Ruim: "Vendas 2024"

Bom: "Vendas caíram 15% no Q3 por atraso logístico no Sul"

O título não descreve o gráfico — descreve o insight.

SQL: a língua universal dos dados
Bloco 3 — Criada pela IBM em 1974, ainda é a habilidade #1

SQL é como pedir um café. Você não explica como moer o grão nem esquentar a água — diz "quero um café". SQL funciona assim: você declara o que quer, o banco decide como buscar.

Exemplo: total de sinistros por região

SELECT regiao, COUNT(*) as total, AVG(valor) as ticket_medio FROM sinistros WHERE ano = 2025 GROUP BY regiao ORDER BY total DESC;

Resultado

regiaototalticket_medio
Sudeste4.8502.577
Sul3.2002.437
Nordeste2.1002.000

Dica de carreira: Aprenda SQL antes de Python. SQL resolve 70% dos problemas de análise e é exigido em praticamente toda vaga de dados. Foi criado pela IBM para que pessoas não técnicas pudessem acessar dados — e 50 anos depois, continua cumprindo essa missão.

Python: o canivete suíço
Bloco 3 — De planilha turbinada a modelos de IA (1/2)

Por que Python domina dados?

Sintaxe legível (parece inglês), milhares de bibliotecas prontas, comunidade imensa. Funciona do notebook exploratório ao sistema em produção com 200M de usuários (Netflix usa Python extensivamente).

Bibliotecas essenciais

BibliotecaAnalogiaQuando usar
PandasExcel com superpoderesSempre que tiver dados tabulares
Matplotlib / SeabornCaderno de gráficosVisualizar distribuições, tendências, correlações
scikit-learnCaixa de ferramentas de MLQuando precisa de modelos preditivos
Jupyter NotebookCaderno de laboratório digitalExploração interativa, documentar análise
Python na prática + SQL
Bloco 3 — Pipeline típico e o combo vencedor (2/2)

Pipeline típico em Python

df = pd.read_csv('dados.csv')

df.describe() — estatísticas

df.groupby('regiao').sum() — agregar

df.plot() — visualizar

Em 4 linhas você já tem uma análise exploratória inicial de qualquer CSV.

SQL + Python = combo ideal

SQL para buscar dados do banco (rápido e eficiente).

Python para limpeza complexa, visualização, modelagem e automação.

No mercado, 90% dos profissionais de dados usam os dois.

Python na Prática: Pandas + Matplotlib
Bloco 3 — Veja uma análise real sendo construída em Jupyter
analise_sinistros.ipynb
FileEditViewCellKernel
In [1]:
In [2]:
Out[2]:
In [3]:
matplotlib chart
Sinistros por Região — 2025

4 linhas de código = importar dados, explorar, agrupar e visualizar. Esse é o poder do Pandas + Matplotlib no Jupyter.

GenAI e Dados: Realidade vs Hype
Bloco 3 — O que a IA generativa realmente faz (1/2)

O que ChatGPT, Claude e Gemini NÃO são

São modelos de probabilidade de texto. Preveem qual palavra vem a seguir — não analisam dados tabulares de verdade.

Exemplo real: Você pede "analise meu CSV de churn". Sem acesso ao arquivo, ele inventa números plausíveis baseado em padrões de linguagem — não na sua realidade.

O gap de expectativa: RH pede "preveja quais funcionários vão sair nos próximos 6 meses". ChatGPT explica o conceito — mas não roda o modelo com seus dados.

O que Julius AI é (a exceção)

Julius AI realmente executa Python sobre seus dados. Você faz upload, ele gera código real, roda e mostra o resultado — não inventa.

A diferença que importa: ChatGPT te dá a receita. Julius faz o prato com os seus ingredientes.

Outros com execução real: ChatGPT Code Interpreter (upload explícito), Copilot no Excel, Pandas AI (para devs).

GenAI e Dados: quem executa código de verdade?
Bloco 3 — Comparativo prático por ferramenta (2/2)
FerramentaExecuta código nos seus dados?Melhor para
Julius AI✓ Sim — Python realEDA rápida, ver código gerado, aprender
ChatGPT Code Interpreter✓ Sim — com upload de arquivoAnálises versáteis, prototipagem
ChatGPT / Claude / Gemini✗ Não — gera texto sobre dadosExplicar conceitos, gerar código para rodar você mesmo
Copilot (Excel)✓ Sim — opera no arquivo abertoQuem vive no Excel/Microsoft 365

Regra prática: se a ferramenta não tem acesso direto ao seu dado, ela vai alucinar números. Prefira ferramentas que executam código sobre upload real — e valide os resultados antes de decidir.

Caso: Ambev + Power BI
BI que transformou a cultura de 5.000 usuários — veja o drill-down em ação

Antes → Depois

Antes: Gerente pedia relatório ao TI, levava semanas, chegava em PDF desatualizado.

Depois: 5.000+ usuários fazem drill-down nos dashboards e agem no mesmo dia.

Lição: A ferramenta mais sofisticada do mundo é inútil se as pessoas não usam. A Ambev investiu tanto em treinamento e cultura quanto em tecnologia.

Vendas por Região
Machine Learning em 5 minutos
Bloco 3 — Quando o computador aprende padrões sozinho

A ideia central: em vez de programar regras manualmente ("se idade < 25 E renda < 3000, então risco alto"), você dá milhares de exemplos ao computador e ele descobre os padrões sozinho.

Supervisionado

Aprende com exemplos rotulados.

"Isso é spam" / "Isso não é spam"

→ Prever preço, detectar fraude, score de crédito

Não Supervisionado

Encontra padrões sem rótulos.

"Organize esses clientes em grupos parecidos"

→ Segmentação, redução de dimensionalidade

Por Reforço

Aprende por tentativa e erro.

"Jogue xadrez 1 milhão de vezes e melhore"

→ Jogos, robótica, trading

Algoritmos mais usados no mercado

Regressão Linear (prever valores) · Regressão Logística (sim/não) · Árvore de Decisão (regras explicáveis) · Random Forest (robusto) · XGBoost (estado da arte) · K-Means (segmentação)

Times de Dados: os 3 papéis
Bloco 3 — Quem faz o quê no time de dados (1/2)

Analista de BI

Pergunta: "O que aconteceu e por quê?"

  • Cria dashboards e relatórios
  • Faz queries SQL no warehouse
  • Conta histórias com dados
  • Próximo do negócio

Ferramentas: Power BI, Tableau, SQL, Excel

Engenheiro de Dados

Pergunta: "Como os dados chegam e ficam confiáveis?"

  • Constrói e mantém pipelines
  • Garante qualidade e idempotência
  • Gerencia o data lake/warehouse
  • Próximo da engenharia

Ferramentas: dbt, Spark, Airflow, Python

Cientista de Dados

Pergunta: "O que vai acontecer e o que fazer?"

  • Cria modelos preditivos e prescritivos
  • Estatística e Machine Learning
  • Experimentos e A/B tests
  • Próximo de pesquisa e produto

Ferramentas: Python, scikit-learn, Jupyter, SQL

Times de Dados: por que separados (e onde brigam)
Bloco 3 — Fronteiras, atritos e maturidade (2/2)

Por que papéis separados?

Cada papel exige competências diferentes: storytelling vs. engenharia vs. estatística avançada. Uma pessoa raramente é excelente nos três.

Em equipes menores: uma pessoa acumula papéis — é o "generalista de dados". Funciona até a escala exigir especialização.

Onde se sobrepõem (e onde brigam)

Todos precisam de SQL. Todos precisam entender o negócio. O atrito clássico: o analista quer dashboards rápidos, o engenheiro quer fazer certo, o cientista quer dados que nunca existem.

A empresa madura tem os três papéis conversando — não em silos separados.

GenAI + Dados Confidenciais = Risco Real
Bloco 3 — Dois casos reais que mudaram políticas corporativas (1/2)

McKinsey — dados de clientes expostos

Consultores da McKinsey colaram trechos de apresentações confidenciais de clientes estratégicos diretamente no ChatGPT para acelerar a análise.

O OpenAI usa interações para treinar modelos. Dados confidenciais de clientes — estratégias de fusão, dados financeiros, planos de produto — foram potencialmente expostos a terceiros.

Resultado: Políticas internas reformuladas. Uso de LLMs com dados de clientes restrito ou proibido em várias consultorias.

Pfizer — chave de API de modelo COVID

Durante a pandemia, pesquisadores da Pfizer expuseram publicamente uma chave de API de um modelo preditivo relacionado a dados de COVID em um repositório Git público.

A chave dava acesso ao modelo e potencialmente a dados de saúde sensíveis. O incidente foi descoberto por pesquisadores de segurança externos.

Resultado: Revisão de práticas de DevSecOps, segredos em variáveis de ambiente, revisão obrigatória de repositórios.

GenAI + Dados: a regra de ouro
Bloco 3 — Como decidir o que pode ir para o ChatGPT (2/2)

Matriz de decisão

Tipo de dadoPode ir para ChatGPT público?Alternativa segura
Dados anonimizados, exemplos fictícios✓ Sim
Dados internos não sensíveis (agregados)⚠ Com cuidadoVerificar política da empresa
Dados de clientes, financeiros, de saúde✗ NãoLLM privado/on-premise, Azure OpenAI com contratos
Credenciais, chaves de API, senhas✗ JamaisGerenciador de segredos (Azure Key Vault, Vault)

Na dúvida, não cole. Se o dado é confidencial, use LLM privado, Azure OpenAI com contrato corporativo ou anonimize antes. O que vai para o ChatGPT público pode acabar no treino do próximo modelo.

Plataformas Avançadas: o Horizonte
Bloco 3 — Onde o mercado de dados está indo (1/2)
🧱

Databricks

Lakehouse unificado. Data + ML + streaming num só lugar. Criado pelos fundadores do Apache Spark.

Usado por: Shell, Comcast, NBCUniversal

❄️

Snowflake

Cloud data warehouse serverless. Separa compute de storage. Compartilhamento de dados entre empresas.

Usado por: Capital One, DoorDash, JetBlue

🔭

Palantir

Plataforma de decisão para dados complexos e sensíveis. Muito usado em defesa, saúde e finanças.

Usado por: NHS, Airbus, US Army

🤖

AWS SageMaker

Plataforma completa de ML na AWS. Do treinamento ao deploy em produção com monitoramento.

Usado por: GE Healthcare, Siemens, BMW

Onde a Cardif se encaixa nesse horizonte
Bloco 3 — Do pipeline atual às plataformas de referência (2/2)

Do ponto de partida ao destino

Você não vai trabalhar com Palantir amanhã. Mas entender que esse ecossistema existe muda como você pensa os problemas da sua área. O pipeline que a Cardif já tem hoje (SQL Server + Python + Domino) é o ponto de partida — essas plataformas são o destino.

💬 Pergunta para vocês

Pensando no que acabamos de ver — que problema ou oportunidade na sua área poderia ser resolvido com dados? Pode ser algo simples: um relatório manual que deveria ser automatizado, uma decisão que hoje é feita "no feeling", um indicador que ninguém consegue explicar.

SQL ao Vivo: do query ao insight
Bloco 3 — Veja uma consulta real sendo construída e seus resultados
query.sql — Sinistros 2025
Resultados

Insight: Sudeste concentra mais sinistros, mas Sul tem o maior ticket médio. Investigar: tipo de sinistro? Veículos de maior valor?

Na prática: Essa query roda em segundos. Sem SQL, esse relatório levaria horas montando planilhas manualmente.

Caso: Amazon — 35% das vendas por recomendação
O sistema que conhece você melhor que você mesmo

Como funciona

"Quem comprou X, também comprou Y" — essa frase simples esconde um dos sistemas mais sofisticados do mundo.

O algoritmo analisa:

  • Seu histórico de compras
  • O que você navegou e por quanto tempo
  • O que colocou no carrinho (e não comprou)
  • Avaliações que você deu
  • Comportamento de milhões de clientes similares

O impacto em números

35%
das vendas da Amazon vêm do sistema de recomendação

Em 2024, a receita da Amazon foi de ~US$ 575 bilhões. Se 35% vem de recomendação, estamos falando de ~US$ 200 bilhões gerados por um algoritmo de dados.

A decisão data-driven

Jeff Bezos não perguntou "o que acho que os clientes querem?". Ele construiu um sistema que pergunta aos dados o que cada cliente quer — e responde em milissegundos.

Caso: Mercado Livre — Detecção de Fraude
Quando milissegundos e dados salvam milhões

O desafio

Milhões de transações por dia na América Latina. Para cada compra, o sistema precisa decidir em milissegundos: legítima ou fraudulenta?

O equilíbrio impossível

  • Bloquear demais: Clientes legítimos irritados, vendas perdidas
  • Bloquear de menos: Fraudes consumadas, prejuízo financeiro

A solução data-driven

Um modelo de ML analisa dezenas de variáveis em tempo real:

VariávelSinal de risco
Valor da compraMuito acima do padrão do usuário
Horário3h da manhã, fora do padrão
DeviceDispositivo nunca usado antes
LocalizaçãoIP de país diferente do cadastro
VelocidadeCompra em segundos (sem navegação)

Resultado

Modelo retreinado continuamente. Taxa de fraude mantida abaixo de 0.5% mesmo com crescimento acelerado de transações.

Caso: John Deere — IoT e Manutenção Preditiva
Quando o trator avisa antes de quebrar

O problema antigo

Uma colheitadeira que quebra no meio da safra custa dias de produção perdida. Manutenção preventiva por calendário (a cada 6 meses) é cara e imprecisa — troca peças que ainda funcionam e não pega as que vão falhar.

A solução com dados

Tratores da John Deere têm centenas de sensores em tempo real: temperatura do motor, pressão do óleo, RPM, vibração, consumo de combustível e horas de operação por componente.

O modelo preditivo

Séries temporais + anomaly detection identificam padrões que precedem falhas. Resultado: o sistema avisa o fazendeiro 15 dias antes — tempo de agendar a manutenção fora da safra.

Impacto

MétricaAntesDepois
Paradas não planejadasFrequentes-70%
Custo de manutençãoAlto-25%
Vida útil da máquinaPadrão+20%
Dados no Mercado de Seguros
Bloco 4 — Um setor que nasceu data-driven

Seguradoras vendem uma promessa matemática: "se X acontecer, pagamos Y". O preço é calculado pela probabilidade de X acontecer — dados e estatística são o DNA do setor.

AplicaçãoTipoDecisão que gera
Relatório de sinistros por regiãoDescritivaOnde concentrar prevenção
Por que sinistros aumentaram no Sul?DiagnósticaCorrigir causa raiz
Probabilidade de sinistro por perfilPreditivaPrecificar apólice
Precificação dinâmicaPrescritivaRisco vs competitividade
Detecção de fraudePreditivaPriorizar investigações (-40%)
Segmentação de clientesNão supervisionadoMarketing e retenção

McKinsey: seguradoras com analytics avançado reduzem fraudes em até 40% e melhoram precificação em até 20%.

Caso: Detecção de Fraude em Seguros
Quando os dados encontram o que humanos não veem

Sinais que o modelo detecta

PadrãoPor que é suspeito
Sinistro logo após contrataçãoFraude pré-planejada
Valor próximo do limite da apóliceMaximizar ganho
Múltiplos sinistros em curto períodoPadrão fora do normal
Inconsistências na descriçãoNarrativa fabricada
Mesmo oficina/médico em vários sinistrosRede de fraude organizada

O modelo em ação

Para cada sinistro, o modelo classifica automaticamente:

ClassificaçãoScoreAção
Baixo risco0-30Pagamento automático
Investigar30-70Revisão por analista
Alta suspeita70-100Investigação especializada

Impacto

80% dos sinistros são processados automaticamente (baixo risco). A equipe de investigação foca nos 20% suspeitos — muito mais eficiente.

Quando dados falham: Google Flu Trends
Uma lição sobre os limites da análise de dados

A promessa (2008)

O Google descobriu que buscas por sintomas de gripe correlacionavam fortemente com surtos rastreados pelo CDC americano.

Google Flu Trends prometia detectar surtos de gripe 2 semanas antes do CDC, apenas com buscas. Funcionou por anos — papers, imprensa, parecia revolucionário.

O fracasso (2013)

O modelo passou a superestimar surtos, errando por 140% em algumas semanas.

  • Correlação ≠ causalidade: pessoas buscavam "gripe" por notícias, não por estarem doentes
  • Dados mudaram: o autocomplete sugeria buscas sobre gripe para qualquer sintoma
  • Viés de mídia: quando a imprensa cobria gripe, buscas disparavam sem aumento real

Projeto descontinuado em 2015.

Lição: Correlação no passado não garante causalidade no futuro. Todo modelo tem premissas — quando o mundo muda, as premissas podem quebrar. Dados informam, não substituem pensamento crítico.

Vazamentos de Dados que Abalaram o Mercado
Bloco 4 — O dado mais perigoso é o que vaza por descuido (1/2)

Equifax (2017) — 147 milhões de pessoas

Falha em servidor Apache Struts (sem patch de segurança) expôs dados de 147M de americanos: CPF (SSN), datas de nascimento, endereços, cartões de crédito.

Resultado: Multa de US$ 700 milhões. CEO demitido. Ações caíram 35%.

Cambridge Analytica / Facebook (2018)

Um quiz aparentemente inofensivo coletou dados de 87 milhões de perfis do Facebook — sem consentimento explícito. Usados para criar propaganda política micro-direcionada.

Resultado: Multa de US$ 5 bilhões para o Facebook. Nova era de regulação (GDPR, LGPD).

Vazamentos de Dados — Brasil e GenAI
Bloco 4 — Quando o descuido vira manchete (2/2)

Serasa Experian Brasil (2021)

Vazamento de 223 milhões de CPFs (incluindo falecidos) com score de crédito, renda, endereço e telefone. Maior vazamento da história do Brasil.

Resultado: Investigação ANPD/LGPD. Dados vendidos na dark web por centavos.

Samsung + ChatGPT (2023)

Engenheiros da Samsung colaram código-fonte proprietário no ChatGPT para ajudar a debugar. Dados potencialmente incorporados ao treinamento do modelo.

Resultado: Samsung proibiu uso de IA generativa externamente. Outras big techs seguiram.

Padrão em comum: Nenhum desses vazamentos foi um "hack sofisticado". Foram falhas de processo, descuido humano e falta de governança. A tecnologia falha — mas o que mata é a ausência de controles.

Quando a IA Dá Errado
Bloco 4 — IA herda os vieses dos dados e das pessoas que a criaram (1/2)

Amazon Hiring AI (2018)

Amazon criou IA para filtrar currículos. O modelo foi treinado com 10 anos de contratações — 90% homens em engenharia. Resultado: a IA penalizava currículos que mencionavam "women's" (ex: "women's chess club").

Resultado: Projeto cancelado. Viés histórico nos dados → viés nas previsões.

Air Canada Chatbot (2024)

Chatbot da Air Canada prometeu a um passageiro enlutado um desconto de luto que não existia. O cliente comprou a passagem confiando no chatbot e depois foi cobrado o preço cheio.

Resultado: Tribunal decidiu que a empresa é responsável pelo que seu chatbot diz. Precedente jurídico.

Quando a IA Dá Errado — Justiça e Chatbots públicos
Bloco 4 — Casos que mudaram o debate público sobre IA (2/2)

COMPAS — Justiça Criminal (EUA)

Sistema usado por juízes para prever reincidência criminal. Estudo da ProPublica mostrou que o modelo errava 2x mais para réus negros, classificando-os como alto risco injustamente.

Resultado: Debate nacional sobre IA em decisões judiciais. Dados históricos enviesados = previsões enviesadas.

Microsoft Tay (2016)

Chatbot no Twitter que aprendia com interações públicas. Em menos de 24 horas, estava postando conteúdo racista e extremista — aprendeu com trolls que intencionalmente o alimentaram.

Resultado: Desligado em 16 horas. Sem curadoria de dados de entrada, IA amplifica o pior.

A lição para toda empresa

IA não é "inteligente" — é um espelho estatístico dos dados que recebe. Dados enviesados → decisões enviesadas. Dados ruins → decisões ruins. A pergunta não é "a IA vai errar?" — é "quando errar, quem é responsável e como detectamos?"

Cultura Data-Driven
Bloco 4 — Não é tecnologia, é comportamento

Os 4 pilares

  • Acessibilidade: Dados disponíveis para quem decide (não presos no TI)
  • Literacia: Pessoas sabem interpretar dados (não precisam programar)
  • Governança: Uma fonte da verdade (todos falam a mesma língua)
  • Ação: Insights viram decisões reais (o ciclo se fecha)

Antipadrões que matam dados

  • "Eu acho que..." sem consultar dados disponíveis
  • Dashboard que ninguém olha após a primeira semana
  • Dados em silos: cada área com sua "verdade"
  • Relatório de 50 páginas que ninguém lê
  • Investir em IA sem dados limpos

A verdade inconveniente: Empresas com planilhas bem organizadas e cultura de decisão por dados são mais maduras analiticamente que empresas com cluster Spark e zero governança. Maturidade é comportamento, não ferramenta.

Carreira em Dados
Bloco 4 — Roadmap e a habilidade mais subestimada
EtapaO que aprenderTempo
1. FundamentosEstatística básica, lógica de programação1-2 meses
2. SQLSELECT, JOIN, GROUP BY, window functions1-2 meses
3. PythonPandas, NumPy, Matplotlib, Jupyter2-3 meses
4. BIPower BI / Tableau + storytelling1-2 meses
5. ProjetosPortfólio no GitHub (Kaggle, dados.gov.br)Contínuo
6. EspecializaçãoML, Engenharia de Dados ou Analytics Eng.3-6 meses

Onde praticar

Kaggle — competições e datasets

dados.gov.br — dados abertos do governo

HackerRank — exercícios de SQL

Julius AI — explore dados sem setup

A habilidade #1 que ninguém fala

Comunicação. O melhor insight do mundo é inútil se você não consegue explicar para quem toma a decisão. Aprenda storytelling com dados.

Q&A
A Jornada dos Dados — da fonte à decisão

O que vimos hoje

  • Dados não tomam decisões — mas pessoas sem dados decidem pior
  • 4 níveis: descritiva → diagnóstica → preditiva → prescritiva
  • Pipeline: coletar, limpar, transformar, visualizar
  • Times: analista BI / engenheiro de dados / cientista
  • GenAI ≠ análise de dados — e dados em GenAI = risco real
  • Vazamentos e falhas de IA acontecem por descuido, não por hackers

Perguntas?

Próximo passo

Identificar um problema concreto na sua área que dados poderiam resolver — e conversar com seu time de dados sobre como começar.

Material e contato

Material completo no rodapé ("Material"). Prof. Afonso Brandão — Inteli

Data-Driven Times de Dados GenAI Riscos Cardif