🎯 A Dinâmica: Carrossel de Elicitação

Uma fusão de telefone sem fio + carrossel rotativo. Cada grupo trabalha um projeto diferente a cada etapa, recebendo apenas o artefato produzido pelo grupo anterior — sem acesso ao briefing original e sem comunicação verbal entre grupos.

📐 Estrutura

  • 5 grupos de 5 pessoas, 5 projetos, 5 etapas de 10 minutos.
  • Cada grupo abre apenas o crumb correspondente ao seu projeto inicial.
  • A cada rodada, o artefato produzido é entregue ao próximo grupo seguindo a rotação.
  • Ao final, as 5 linhagens completas ficam na parede para comparação.

🔄 Rotação dos projetos (matriz)

Cada grupo passa por todas as etapas, mas em projetos diferentes:

Etapa 1 — Spec Etapa 2 — Persona/Jornada Etapa 3 — Use cases/Stories Etapa 4 — RF/RNF (SWEBOK) Etapa 5 — Wireframe/Critérios
Grupo 1Projeto AProjeto EProjeto DProjeto CProjeto B
Grupo 2Projeto BProjeto AProjeto EProjeto DProjeto C
Grupo 3Projeto CProjeto BProjeto AProjeto EProjeto D
Grupo 4Projeto DProjeto CProjeto BProjeto AProjeto E
Grupo 5Projeto EProjeto DProjeto CProjeto BProjeto A

📋 As 5 etapas

1. Spec funcional 2. Persona + jornada 3. Use cases + user stories 4. RF/RNF (6 eixos SWEBOK) + restrições 5. Wireframe + critérios de aceitação

Detalhes de cada etapa, templates e checklists estão nos slides, com cronômetro de 10 min por rodada.

⚠️ Regra de ouro: abra APENAS o crumb do seu projeto inicial. Não espie os outros — a graça da dinâmica é descobrir, no final, o quanto a informação se transformou ao longo da cadeia.

📦 Briefings — Os 5 Projetos

Cada projeto contém: contexto do cliente, transcrição da entrevista inicial (já feita pelo time de produto) e premissas levantadas. É a partir deste material que o Grupo X produzirá a primeira Spec funcional (Etapa 1).

🏢 Contexto do cliente

A ONG Conviver atende 1.200 idosos cadastrados na zona leste de São Paulo. Segundo o último censo interno, 60% moram sozinhos e a queixa mais recorrente nas visitas é a solidão. A diretora procurou o time de produto querendo "um app pra eles não se sentirem mais sozinhos".

🎙️ Entrevista — Dona Helena (diretora da ONG)

[entrevista por telefone, 22 min]

Helena: A gente precisa de um aplicativo pra os idosos não se sentirem mais sozinhos. Tem muito idoso aqui que passa o dia inteiro sem falar com ninguém.

PM: Eles têm celular?

Helena: A maioria sim. Smartphone básico. Alguns usam WhatsApp, mas não usam muito não, sabe? Eles têm medo de "estragar" o aparelho.

PM: E a família?

Helena: Ah, a família quer acompanhar também. Pra saber se tá tudo bem. Mas a família não mora junto, na maioria das vezes.

PM: Custo?

Helena: Não pode ser pago. Esses idosos não têm condição. Aposentadoria mínima.

PM: Algum receio?

Helena: Tem que ser fácil. Bem fácil. Botão grande. Sem essas coisas modernas de arrastar pra cima, pra baixo. Eles não entendem.

📌 Premissas levantadas
  • Público primário: idosos 65+, baixo letramento digital, smartphones de entrada
  • Stakeholder secundário: familiares que querem acompanhar à distância
  • Modelo: gratuito para o usuário final (ONG não cobra)
  • Foco: conexão social — NÃO é app de saúde, telemedicina ou emergência
  • UX: elementos grandes, evitar gestos complexos, alta tolerância a erros

🏢 Contexto do cliente

A Prefeitura de Florianópolis registrou aumento de 38% em acidentes envolvendo ciclistas nos últimos 2 anos. A cidade tem 90 km de ciclovias, mas elas são descontínuas e dispersas. O secretário de mobilidade procurou o time querendo uma solução que ajude o ciclista e, ao mesmo tempo, gere dados para a prefeitura priorizar investimentos.

🎙️ Entrevista — Ricardo (secretário de mobilidade)

[reunião presencial, 45 min]

Ricardo: A gente quer algo que ajude o ciclista a planejar uma rota segura na cidade.

PM: Tipo um Waze pra bicicleta?

Ricardo: Não. Não pode ser igual o Waze. O Waze é pra carro, ele te manda pela rota mais rápida, não pela mais segura. Aqui a gente quer segurança primeiro.

PM: E pra prefeitura?

Ricardo: Ah, isso é o pulo do gato. A gente quer dados. Onde o ciclista anda, onde tem perrengue, onde frearia se tivesse ciclovia. Pra gente investir certo.

PM: Conectividade?

Ricardo: Tem que funcionar mesmo sem internet, viu? Tem regiões aqui na ilha que não pegam sinal. E ciclista não fica parando pra ver mapa.

PM: Adoção?

Ricardo: Esse é o desafio. Ciclista desconfia de prefeitura. Acha que a gente vai usar pra multar, sei lá. Tem que convencer.

📌 Premissas levantadas
  • Dois objetivos paralelos: ajudar o ciclista (rota segura) e coletar dados para a prefeitura
  • Diferenciação: segurança > velocidade (oposto do Waze)
  • Offline-first: precisa funcionar sem internet em áreas mortas
  • Onboarding de confiança: ciclista é cético com prefeitura — comunicar privacidade e propósito
  • Restrição: dados coletados NÃO podem ser usados para fiscalização/multa

🏢 Contexto do cliente

A Escola Aprende+ é uma escola particular de ensino fundamental com 800 alunos. Hoje a comunicação com pais acontece via WhatsApp em grupos de turma, e isso virou caos: pais perdem comunicados, professores ficam expostos, conflitos entre pais escalam. A coordenadora pedagógica procurou o time querendo um canal oficial.

🎙️ Entrevista — Profa. Cláudia (coordenadora pedagógica)

[reunião na escola, 35 min, com diretora financeira presente nos últimos 10 min]

Cláudia: Hoje a gente manda no WhatsApp, mas vira bagunça. Tem grupo que vira fofoca, tem pai que reclama de tudo, e quando o comunicado é importante, se perde no meio.

PM: Os professores entram nos grupos?

Cláudia: Entram, e odeiam. Querem o WhatsApp pessoal deles fora disso. Mas a gente não consegue forçar outro canal sem ter algo bom.

PM: O que vocês querem garantir?

Cláudia: Saber quem leu o comunicado. Hoje a gente não sabe.

PM: E os pais, o que pedem?

Cláudia: Querem saber das notas, mas as notas saem só no boletim trimestral. E reclamam que não sabem o que o filho está estudando.

Financeiro: Ah, e a gente também precisa mandar coisa de mensalidade, comunicado de inadimplência... Isso não pode ir junto, né? Tem que separar.

Cláudia: Pois é, tem o pedagógico e o financeiro. São coisas diferentes mas é o mesmo pai recebendo.

📌 Premissas levantadas
  • Objetivo central: substituir WhatsApp como canal oficial escola-família
  • Privacidade: professores não devem ter contato pessoal exposto
  • Confirmação de leitura é requisito explícito
  • Multi-departamento: pedagógico e financeiro precisam coexistir, mas separados
  • Possível escopo adjacente: notas mais frequentes (não só boletim), visibilidade do conteúdo da aula

🏢 Contexto do cliente

A COAPESC é uma cooperativa de 340 pequenos produtores da agricultura familiar no interior do Paraná. Hoje vendem 95% da produção para atravessadores, perdendo cerca de 60% da margem. O presidente da cooperativa procurou o time querendo viabilizar venda direta ao consumidor das grandes capitais (Curitiba, São Paulo).

🎙️ Entrevista — Seu Antônio (presidente da cooperativa)

[entrevista presencial na sede da coop, 50 min]

Antônio: A gente quer vender direto pro consumidor da cidade grande. Cortar o atravessador.

PM: O produtor tem CNPJ?

Antônio: Não. É DAP, sabe? Declaração de aptidão ao Pronaf. Agricultor familiar. CNPJ é da cooperativa só.

PM: Tipo de produto?

Antônio: Hortifruti, queijos artesanais, ovos caipira, mel. Tem coisa que precisa de refrigerado, tem coisa que não. A logística é o nó.

PM: Pagamento?

Antônio: PIX, cartão, boleto. Tudo. Aí a coop divide com o produtor depois.

PM: Quem mexe no sistema?

Antônio: Olha, o produtor mesmo não vai. Ele não tem paciência, não tem internet boa no sítio. Quem mexe é o agente da coop que visita ele, ou o filho dele que mora na cidade.

📌 Premissas levantadas
  • Modelo: B2C com cooperativa como intermediária fiscal (CNPJ da coop emite NF)
  • Operação: agente da cooperativa ou familiar do produtor opera o sistema — NÃO o produtor diretamente
  • Logística: múltiplos perfis (refrigerado vs seco) — variável central
  • Pagamentos: PIX, cartão e boleto obrigatórios; split entre coop e produtor
  • Restrição legal: respeitar status de DAP/Pronaf do produtor

🏢 Contexto do cliente

O Coletivo Reciclar Juntos é um grupo informal de 80 catadores autônomos em Salvador. Trabalham sem coordenação: dois catadores passam na mesma rua no mesmo dia, outros bairros ficam sem cobertura. Perdem em escala para cooperativas formais. O organizador procurou o time querendo uma forma de coordenar rotas e ampliar a parceria com comércios locais.

🎙️ Entrevista — Marcelo (organizador do coletivo)

[entrevista por videochamada, 40 min, sinal instável]

Marcelo: A gente quer organizar a coleta. Hoje um catador passa numa rua, o outro passa atrás. Tem sobreposição demais e tem bairro que ninguém passa.

PM: Os catadores têm celular?

Marcelo: Têm. Mas é Android antigo, barato. Internet pré-paga, que acaba. Não dá pra exigir app pesado.

PM: Cadastro?

Marcelo: Não dá pra exigir cadastro de empresa. Eles são MEI no máximo, alguns nem isso. Cadastro simples, CPF, nome.

PM: E os comércios?

Marcelo: Os comércios da região topam separar o reciclável se souberem que vai um catador específico buscar. Hoje eles não separam porque acham que vai pro lixo comum.

PM: Modelo de custeio?

Marcelo: Olha, a gente não tem dinheiro. Vive de doação. Servidor caro não rola. Tem que ser barato de manter ou ser de graça mesmo.

📌 Premissas levantadas
  • Objetivo central: coordenação geográfica de rotas para reduzir sobreposição
  • Hardware: Android antigo, app leve, tolerante a internet ruim
  • Cadastro: sem barreira jurídica — CPF suficiente
  • Stakeholder secundário: comércios locais como parceiros que separam reciclável
  • Restrição financeira: custo operacional mínimo — preferir tecnologias gratuitas/baratas

🔄 Como funciona o handoff entre rodadas

  • Ao fim dos 10 min de cada rodada, o grupo entrega o artefato físico (folha ou prancheta) ao próximo grupo seguindo a matriz.
  • O artefato deve ser autossuficiente: o próximo grupo só vê o que está escrito — não há tira-dúvidas verbal.
  • Quem recebe não tem acesso aos artefatos anteriores, apenas ao último.
  • O briefing original (este material) não é compartilhado entre rodadas — só o Grupo 1 da Etapa 1 leu o crumb.

🎓 Fechamento

Ao final, cada projeto terá sua linhagem completa (Spec → Persona/Jornada → Use cases/Stories → RF/RNF → Wireframe/Critérios). Cola-se as 5 linhagens lado a lado na parede e reabre-se o briefing original. Perguntas para a discussão:

  • Onde a informação se perdeu ou se distorceu?
  • Que premissas foram inventadas ao longo da cadeia?
  • Qual etapa é mais sensível a ambiguidade?
  • O que os artefatos "boas" tinham em comum (clareza, autossuficiência, exemplos)?
  • Como aplicar isso na próxima sprint do seu projeto real?