Logo Inteli Exec Ambev · DS4DM · Turma 1

1 · Como ler este material

Este é o seu caderno de bolso para o Módulo 1 do programa Data Science for Decision Makers. Ele foi pensado para três momentos distintos:

Regra do gerente: se você só tiver 15 minutos antes da aula, leia a seção do case Disney+ e o quadro do framework GUIDDE em Pilar 1. Tudo o mais decanta na dinâmica.

Agenda do dia (15/06/2026)

08:30 – 09:00 · Welcome Coffee & networking
09:00 – 10:00 · Abertura Ambev — boas-vindas, expectativas, contrato de turma (1h)
10:00 – 10:55 · Bloco 1 · Pensamento analítico — ancoragem no case + Dinâmica 1: O Briefing Impossível do Bob Iger
10:55 – 11:10 · Break
11:10 – 12:30 · Bloco 2 · Modelos de análise — Dinâmica 2: Cartas das 3 Análises no Disney+
12:30 – 13:30 · Almoço executivo
13:30 – 14:40 · Bloco 3 · Modelagem de dados — Dinâmica 3: Entrevista com Margaret Gupta
14:40 – 16:05 · Bloco 4 · Heurísticas e vieses — Dinâmica 4: Quiz dos Vieses na Sala da Disney
16:05 – 16:20 · Break
16:20 – 17:50 · Atividade integradora — Problem Statement Disney+ + pitch de 5min
17:50 – 18:00 · Síntese & encerramento — amarração dos 4 pilares
18:00 – 20:00 · Happy Hour Inteli Exec

2 · O case que vai guiar o dia

Todo conteúdo do módulo orbita um único case principal: Disney+ and Machine Learning in the Streaming Age (Kellogg School of Management, KE1251). Para garantir a aplicação imediata, usaremos em paralelo o Caso Espelho Ambev, trazendo dilemas reais da companhia para cada conceito teórico.

2.1 O contexto Disney+ (Laboratório)

Julho de 2019. Margaret Gupta, senior data scientist da Walt Disney Company, recebe a missão de apresentar à liderança, em três dias, "o valor potencial de Machine Learning para o Disney+". O desafio é diagnosticar onde dados criam valor único em um mercado dominado pela Netflix.

2.2 O Caso Espelho Ambev (Jogo Real)

Cenário: Expansão Spaten 600ml via Bees. Em 2026, a Ambev precisa acelerar o share premium em bares de alta renda. O dilema não é "se" devemos investir, mas "onde". Temos dados do Bees, geolocalização e histórico de sell-out. O desafio do gerente é: como transformar esse "mar de dados" em uma decisão clara de investimento em geladeiras e trade marketing?

O Bees em números (resultados FY2025 da AB InBev, arquivados na SEC):
  • US$ 52,5 bilhões de GMV capturado em 2025 (+12% vs 2024);
  • 72% das receitas da AB InBev já passam por plataformas digitais B2B, com mais de 6 milhões de clientes em 29 mercados;
  • No Brasil, o BEES Marketplace cresceu +78% em GMV e o Zé Delivery gerou ~67 milhões de pedidos no ano.

E o tamanho do prêmio de decidir bem nesse contexto: segundo a McKinsey, empresas de CPG investem ~20% da receita em trade promotions, 59% delas perdem dinheiro — e as melhores retornam 5x mais que as piores.

A Ponte: Se a Disney decide qual original (Mandalorian) priorizar para reter assinantes, a Ambev decide qual PDV priorizar para instalar o "Ecossistema Spaten" e aumentar o HL incremental. O método (GUIDDE) é o mesmo.
"What value could Gupta and her team add — and what kind of data would they need to leverage?" Kellogg KE1251

O tabuleiro competitivo (jul/2019)

Os ativos da Disney (pós-aquisição da Fox, mar/2019)

O lançamento

O Disney+ entraria no ar com 7.500 episódios de TV + 500 filmes, mais o flagship original The Mandalorian. Preço inicial: US$ 6,99/mês ou US$ 69,99/ano — deliberadamente abaixo de Netflix.

O risco que ninguém pode ignorar: o case cita explicitamente o algoritmo de recrutamento da Amazon que discriminava mulheres como exemplo de "AI bias". ML não é neutro; é tão bom quanto os dados e os critérios que recebe. Gupta precisa entregar valor sem entregar um escândalo de marca.

Por que esse case para uma turma da Ambev?

Disney+ em 2019 e Ambev em 2026 vivem o mesmo dilema estrutural: uma marca centenária com dados gigantes precisa decidir onde e como dados/ML criam valor que a concorrência não consegue replicar. Trocando Netflix por entrantes ágeis (HEINEKEN digital, cervejarias craft, marketplaces B2B de bebidas), o paralelo é direto:

Epílogo do case — leia só depois da atividade integradora 🔒

A história respondeu à pergunta da Gupta — e validou o valor de um problema bem definido. No Investor Day de abril/2019, a Disney não apresentou algoritmo: apresentou diagnóstico — meta explícita (60–90 milhões de assinantes até o fiscal 2024), preço deliberado (US$ 6,99 vs US$ 12,99 da Netflix) e o papel dos dados no funil. A ação subiu ~11% no dia seguinte, antes de o produto existir. No lançamento (12/nov/2019), o serviço registrou 10 milhões de cadastros em ~24 horas — e a meta de cinco anos foi superada em ~14 meses (~95 milhões de assinantes no início de 2021).

Provocação de leitura: "10 milhões de cadastros no dia 1" é métrica acionável ou KPI Melancia? O número incluía pré-cadastros e trials gratuitos de 7 dias. Que pergunta a Gupta deveria fazer sobre esses 10 milhões? (Dica: releia a seção de KPIs Melancia no Pilar 1.)

3 · Objetivo do módulo

Capacitar os participantes a estruturar um problema de negócio ambíguo usando frameworks de pensamento analítico, identificando onde dados/ML criam valor único e reconhecendo a influência de vieses cognitivos em decisões executivas — de forma a entregar um diagnóstico claro com métricas de sucesso bem definidas.

Programa: Data Science for Decision Makers — Turma 1 Ambev
Data: 15 de junho de 2026, 09h às 18h (coffee 08h30, almoço 12h30)
Formato: imersão presencial com case Disney+ guiando os 4 blocos
Entregável: Problem Statement do Disney+ (GUIDDE) + pitch executivo de 5min (SCQA)

Por que escolhemos Disney+ e não um case Ambev? Três razões: (1) o case Kellogg traz dados públicos, robustos e ricos em ambiguidade — perfeito para exercitar problem framing sem disputas internas; (2) o setor de mídia/streaming tem decisões de portfólio, pricing e churn que mapeiam diretamente para CPG (Consumer Packaged Goods); e (3) ninguém na sala vai tentar resolver com a resposta certa que já existe — todos os 40 participantes partem do mesmo nível de informação.

Por que este músculo importa — o que dizem as pesquisas

O módulo não nasce de opinião: a evidência de que diagnóstico de problema é o elo fraco da gestão moderna é robusta e vem das fontes que o próprio mercado usa como régua:

NúmeroO que significaFonte
61%do tempo que executivos gastam decidindo é usado de forma ineficaz; numa Fortune 500 típica isso equivale a ~530 mil dias de trabalho gerencial e ~US$ 250 milhões por anoMcKinsey, Decision making in the age of urgency, 2019
85%dos executivos C-level admitem que suas empresas são ruins em diagnosticar problemas — e 87% dizem que essa falha tem custo significativoWedell-Wedellsborg, Are You Solving the Right Problems?, HBR, 2017
24%das empresas Fortune 1000 se consideram de fato data-drivenNewVantage Partners / Wavestone, 2023
23xmais chance de superar concorrentes em aquisição de clientes (9x em fidelização, 19x em lucratividade) com uso intensivo de analyticsMcKinsey, DataMatics
95%de correlação entre excelência decisória e desempenho financeiro de primeiro quartil (pesquisa de 10 anos, 1.000+ empresas)Bain & Company, Decide & Deliver, 2010
Curiosidade honesta: a famosa frase de Einstein — "se eu tivesse 1 hora, gastaria 55 minutos definindo o problema" — é apócrifa (não há registro confiável de autoria). A versão com origem confirmada é de John Dewey, 1938: "a problem well put is half solved". Usamos a verdadeira.

4 · Os 4 pilares do diagnóstico

O dia se estrutura em quatro pilares que se complementam — cada um vira um bloco da agenda e tem uma dinâmica própria com o Disney+:

1

Pensamento Analítico

  • Mentalidade vs ferramenta
  • Frameworks: 5W2H, SCQA, PIE, GUIDDE
  • KPIs Melancia e elicitação de requisitos
2

Modelos de Análise

  • Descritiva, preditiva e prescritiva
  • Data-driven vs decision-driven
  • Mapa de casos Ambev nas 3 classes
3

Modelagem de Dados

  • Todo dado nasce de um processo (BPMN/SIPOC)
  • 3 níveis: conceitual, lógico, físico
  • ISO/IEC 25010 e a cadeia da qualidade até a decisão
4

Heurísticas e Vieses

  • Sistema 1 e Sistema 2 (Kahneman)
  • 6 vieses críticos em comitês
  • 4 práticas de mitigação

5 · Pilar 1 · Pensamento analítico

5.1 Mentalidade, não ferramenta

Pensamento analítico, no contexto executivo, não é "saber rodar Python". É a disciplina mental de decompor um problema vago em perguntas testáveis antes de mexer em qualquer dado ou ferramenta. Gupta tinha três dias — não dava para construir nada. Dava para diagnosticar onde construir.

Teste prático: se você pegar um briefing e em 10 minutos não conseguir escrever a pergunta única que ele precisa responder, você ainda não entendeu o problema. Continue elicitando antes de pedir dado.

5.2 Quatro frameworks de problem framing

5.2.1 — 5W2H · o checklist universal

What, Why, Who, Where, When, How, How much. Útil como varredura rápida. Vantagem: cobre o básico. Limitação: não força foco em decisão.

5.2.2 — SCQA (Barbara Minto) · estrutura de pitch

Situation → Complication → Question → Answer. Vem do Pyramid Principle da McKinsey. É a estrutura de comunicação. Você usa SCQA para apresentar o problema, não para descobri-lo. No nosso caso final, o pitch de 5 minutos é em SCQA.

5.2.3 — PIE · Problem · Impact · Evidence

Versão enxuta para reuniões de 1 página. Bom quando você tem 30 segundos para vender que vale a pena estudar o problema.

5.2.4 — GUIDDE · o framework do módulo

Este é o framework que você vai usar no entregável final. Seis dimensões, seis perguntas. Se você não consegue responder uma delas, o problema ainda está mal diagnosticado.

LetraDimensãoPergunta-mãeExemplo Disney+
GGoal Qual é o objetivo de negócio que justifica esse trabalho? Reter assinantes nos 90 primeiros dias após o lançamento.
UUsers Quem usa o resultado e que decisão essa pessoa toma com ele? VP de Conteúdo decidindo orçamento da próxima onda de originais.
IImpact Qual o valor monetário ou estratégico se acertarmos? E se errarmos? +5pp de retenção em 90d = ~US$ 350M ARR adicional (estimativa).
DData Que dados precisamos? O que existe, o que falta, o que é proxy? Eventos de play, pause, abandono, tempo até 1ª sessão, perfil familiar.
DDecision Que decisão muda com o resultado? Se nada muda, abandone o projeto. Priorização de US$ 250M em produção original para 2020/Q2.
EEvaluation Como saberemos que acertamos? Critério objetivo, prazo, baseline. Taxa de retenção D90 vs benchmark Netflix lançamento internacional.

5.3 KPIs Melancia · verde por fora, vermelho por dentro

KPI Melancia é uma métrica que parece saudável quando você olha o número agregado, mas esconde podridão quando você abre. É a métrica que mata projetos analíticos bons porque legitima problemas reais.

Regra do gerente: toda métrica agregada merece a pergunta "por qual recorte essa média esconde algo?". Se a resposta for "não sei", sua próxima ação é abrir os cortes — antes de qualquer modelo.

5.4 Seis técnicas de elicitação de requisitos

  1. Perguntas abertas primeiro, fechadas depois. Abertas descobrem; fechadas confirmam. Comece sempre com "me conta como…".
  2. Cinco Porquês. Toyota. Cada "porque" puxa a camada de baixo. Se em 5 níveis você não chegou a um motivo de negócio, é porque voltou ao sintoma: refaça.
  3. Cenários concretos. Em vez de "como vocês decidem catálogo?", peça "me conta a última decisão difícil sobre catálogo que vocês tomaram". Histórias revelam regras tácitas.
  4. Critério de sucesso explícito. "Como você sabe que esse trabalho funcionou?" — se a resposta for vaga, o projeto vai falhar mesmo se a entrega for boa.
  5. Stakeholders silenciosos. Quem não está na sala mas vai ser impactado? Jurídico, compliance, P&D, conselho. Mapeie antes de começar a coletar dado.
  6. Restrições e não-objetivos. "O que esse projeto não vai cobrir?" explicita o escopo. Sem isso, ele explode em 30 dias.
Dinâmica 1 · O Briefing Impossível do Bob Iger · ⏱️ 45min · grupos de 4-5

Cenário: você está no corredor do escritório executivo Disney em julho de 2019. Bob Iger (CEO) cruza com você, para 30 segundos e diz: "Quero que o Disney+ venda mais que a Netflix em três anos. Quero saber como ML ajuda. E quero isso na próxima reunião de board." — e desaparece pelo corredor.

Sua missão (⏱️ 15 min de discussão rigorosa): antes de tocar em ML, em dado, em modelo, sua equipe tem 15 minutos para formular as 10 perguntas de elicitação que vocês precisam responder (com quem? com que dado? em que ordem?) para virar esse briefing em problema diagnosticável.

Perguntas-modelo de saída (exemplos parciais):

  • "Vender mais" = mais assinantes, mais receita, mais hora consumida, ou mais valor de marca?
  • "Três anos" = horizonte de meta ou horizonte do projeto analítico?
  • Qual é a métrica de comparação com a Netflix que o board reconhece como legítima?
  • Quem mais precisa estar de acordo com essa meta antes da reunião de board (CFO? COO? Pixar?)

(⏱️ 15 min de priorização e 15 min de debrief)

Aprendizado-chave: a maior parte do valor analítico está em fazer a pergunta certa antes de escolher a ferramenta. Bons gerentes elicitam até a meta original ficar nítida.

5.5 Prompt Engineering para o GUIDDE

Para executivos e gerentes, a Inteligência Artificial Generativa (como Claude ou ChatGPT) funciona como um parceiro de brainstorming. Se você recebeu um briefing vago da diretoria, use a IA para estruturar o GUIDDE inicial.

Prompt Mestre para Diagnóstico:
"Atue como um consultor sênior de estratégia e dados. Recebi este briefing vago da diretoria: [Briefing]. Me ajude a preencher o framework GUIDDE (Goal, Users, Impact, Data, Decision, Evaluation). Seja específico para o contexto da Ambev. Caso falte informação, me faça as 3 perguntas mais críticas para destravar o diagnóstico."

Exemplos de uso por área:

5.6 Maturidade analítica: o modelo do Gartner

Para saber onde sua área está, usamos o Gartner Analytics Ascendancy Model — a escadaria clássica em que cada degrau entrega mais valor e exige mais maturidade:

DegrauPerguntaEntrega típicaÂncora do case
N1 · DescritivaO que aconteceu?Dashboards e relatórios, KPIs por áreaDisney+ no lançamento (nov/2019)
N2 · DiagnósticaPor que aconteceu?Drill-down, investigação de causasPor que o churn da coorte de trial subiu?
N3 · PreditivaO que vai acontecer?Modelos no circuito tático, hipóteses testadasOnde Gupta quer levar o Disney+ em 12 meses
N4 · PrescritivaComo fazer acontecer?Sistemas recomendam a ação, experimentação como culturaNetflix em 2019 — 12 anos à frente
Sem culpa: segundo o Gartner (2018), 87% das organizações ainda operam nos dois primeiros degraus. Estar no degrau 1 é a norma — ficar nele é a escolha. A pergunta para levar ao break: na sua área da Ambev, qual é o salto realista em 12 meses?

6 · Pilar 2 · Modelos de análise

6.1 As três classes de análise

Toda análise cai em uma de três classes. Saber em qual classe o seu problema vive é pré-requisito para escolher abordagem, capacidade e expectativa de resultado.

ClassePergunta típicaEntregávelExemplo Disney+Exemplo Ambev
Descritiva O que aconteceu? Dashboard, relatório Quantos assinantes assistiram Mandalorian nos primeiros 30 dias? Volume vendido por marca/região/canal no trimestre.
Preditiva O que vai acontecer? Score, forecast, classificação Quais assinantes têm 80%+ de probabilidade de churn em D90? Forecast de demanda SKU por PDV para os próximos 14 dias.
Prescritiva O que devemos fazer? Recomendação, otimização Qual oferta de retenção enviar a cada assinante de alto risco? Como roteirizar a entrega para minimizar km com SLA <24h?

6.2 Data-driven vs Decision-driven

Uma armadilha comum: empresas que se vendem como "data-driven" frequentemente são data-collecting. Coletam tudo, modelam pouco, decidem por intuição. O caminho executivo é o contrário: decision-driven data — comece pela decisão que precisa ser tomada e desça até o dado mínimo necessário. O conceito foi formalizado por Bart de Langhe e Stefano Puntoni na MIT Sloan Management Review (2021).

O cemitério de analytics — por que tanta análise não vira decisão: o Gartner estima que 30% dos projetos de GenAI são abandonados após a prova de conceito (2024) e prevê que 40% dos projetos de IA agêntica serão cancelados até o fim de 2027 (2025); a McKinsey mede que apenas 39% das empresas atribuem algum impacto no EBIT à IA — a maioria, menos de 5% (State of AI, 2025). As causas listadas pelo Gartner — má qualidade de dados, valor de negócio incerto, controles inadequados — são falhas de diagnóstico, não de tecnologia: ninguém perguntou "qual decisão esse modelo habilita?" antes de construir.
Diagrama mental: Decisão → Pergunta → Análise → Dado. Quando alguém começa a apresentação por "olhem que tela linda" (dado), vire o fluxo. Pergunte: "que decisão vai mudar quando eu olhar essa tela?" Se a resposta for nenhuma, o dashboard é decoração.

6.3 Mapa de casos Ambev nas 3 classes

Para fixar, mapa de 12 casos típicos da operação Ambev nas três classes:

#Caso AmbevClasse
1Painel de venda diária por marca/SKUDescritiva
2Forecast de demanda SKU por PDV (14 dias)Preditiva
3Score de propensão a churn de bar parceiroPreditiva
4Roteirização ótima da frota de entregaPrescritiva
5Pricing dinâmico no canal indiretoPrescritiva
6Relatório de NPS mensal por canalDescritiva
7Próxima melhor oferta no Bees para um clientePrescritiva
8Probabilidade de ruptura de estoque em CDDPreditiva
9Análise de cohort de adesão ao DonusDescritiva
10Recomendação de mix ideal por perfil de barPrescritiva
11Detecção de fraude em programa de fidelidadePreditiva
12Dashboard de OEE por linha de produçãoDescritiva
Dinâmica 2 · Cartas das 3 Análises no Disney+ · ⏱️ 35min · grupos de 4-5

Material: 12 cartas físicas (impressas) com pedidos reais que poderiam chegar à mesa de Margaret Gupta. Cada grupo recebe o baralho e tem que distribuir as cartas em três colunas no chão: Descritiva Preditiva Prescritiva.

Gabarito de 6 das 12 cartas:

  1. "Quero saber quantos assinantes assistiram Frozen 2 mês passado." → Descritiva (factual, passado).
  2. "Qual é a probabilidade do João cancelar no fim do trial?" → Preditiva (probabilidade futura).
  3. "Que oferta envio para o João reter ele?" → Prescritiva (decide ação).
  4. "Qual horário tem pico de uso no Disney+?" → Descritiva.
  5. "Quando devemos colocar o trailer do Mandalorian no carrossel para cada usuário?" → Prescritiva (otimização individual).
  6. "Em que mês a Marvel deve lançar a próxima série para maximizar adesão?" → Prescritiva (decisão otimizada).

(⏱️ 10 min distribuição, ⏱️ 25 min correção cruzada e debrief)

Aprendizado-chave: a fronteira entre preditiva e prescritiva é onde mora a maior parte do valor — e onde os erros de comunicação acontecem. Gerente precisa saber separar "previsão" de "recomendação".

7 · Pilar 3 · Modelagem de dados

7.1 Por que o gerente precisa entender (sem fazer)

Você não vai escrever DDL. Não precisa. Mas vai aprovar projeto, contratar consultoria, questionar dashboard e cobrar dado. Se você não consegue ler um modelo conceitual em uma folha, vai depender da tradução de outros — e tradução custa caro.

7.2 Todo dado nasce de um processo

Antes de modelar a tabela, modele o fluxo. Todo dado é o rastro de um evento de processo — e modelar o problema é localizar em que etapa do processo a decisão acontece e que evento gera (ou deixa de gerar) o dado que ela precisa. Ferramentas como BPMN (notação padrão de processos) e SIPOC (Supplier, Input, Process, Output, Customer — herança Six Sigma) servem exatamente para isso, e o gerente só precisa lê-las, não desenhá-las.

Veja a cadeia macro do Bees, da encomenda à recompra:

EtapaTipoO que aconteceDado gerado
1 · PedidoEventoPDV pede 10 cx de Spaten no app BeesSell-in, mix, ticket
2 · RoteirizaçãoDecisãoAlgoritmo monta a rota do caminhãoRota, custo, SLA previsto
3 · EntregaEventoMotorista confirma no PDVSLA real, devoluções
4 · Venda ao consumidorPonto cegoA Spaten gira (ou não) na geladeira do barNenhum — não nasce no processo
5 · RecompraMétricaO PDV pede de novo em 7 dias?Frequência, churn de PDV
O ponto cego clássico: o Bees registra o sell-in (pedido do PDV), mas o sell-out (consumo no balcão) não nasce no processo — por isso "share na geladeira" exige proxy, pesquisa ou parceria. Se o processo não captura o evento, nenhum dashboard inventa o dado. Espelho Disney+: o log registra o clique do cancelamento, nunca o porquê — motivo de churn vira entrevista, não telemetria.

7.3 Os três níveis de modelo

NívelO que descreveQuem falaFerramenta típica
Conceitual Entidades de negócio e como elas se relacionam (sem detalhe técnico) Gerente, PO, arquiteto de negócio Diagrama em papel, Miro, draw.io
Lógico Tabelas, atributos, chaves, cardinalidades — independente de banco Analista de dados, modelador, arquiteto ERwin, dbdiagram.io, Lucidchart
Físico DDL real, tipos, índices, particionamento, performance Engenheiro de dados, DBA PostgreSQL, BigQuery, Snowflake, dbt
Regra do gerente: seu campo de jogo é o nível conceitual. Você precisa saber desenhar entidades em um guardanapo. Se você sabe fazer isso, qualquer consultoria que tente "te impressionar com tabela física" perde força.

7.4 Modelo conceitual aplicado ao Disney+

Em uma página, as entidades-chave que o Disney+ precisa modelar para operar:

Relacionamentos principais:

Por que isso importa para Gupta? Se a entidade Perfil não estiver bem modelada desde o dia 1, as recomendações vão tratar a conta como uma pessoa só — e recomendar Toy Story para o pai que só assiste Marvel. KPI Melancia clássico: engajamento médio bom, churn por frustração alto.

7.5 Roteiro de 6 perguntas para entrevistar stakeholder

  1. Qual é a decisão que esse projeto precisa habilitar?
  2. Que entidades de negócio estão envolvidas? (Cliente, produto, pedido, ...)
  3. Como essas entidades se relacionam? (Quem tem quantos de quem?)
  4. Quais atributos dessas entidades são críticos para a decisão?
  5. Onde esses dados vivem hoje? (Sistema, planilha, "na cabeça da Maria")
  6. Que dado não existe e precisaria ser criado/coletado?
Dinâmica 3 · Entrevista com Margaret Gupta · ⏱️ 45min · duplas

Cenário: você faz parte do time de Margaret. Ela vai construir um dashboard de "saúde do Disney+ nos primeiros 90 dias" para apresentar semanalmente ao CEO. Mas o dash ainda não foi especificado.

(⏱️ 15 min · Rodada A): um entrevista e o outro responde como Gupta.

(⏱️ 15 min · Rodada B): os papéis se invertem, com novo cenário — um modelo de churn da base Hulu (~27M) para evitar repetir o erro no Disney+.

(⏱️ 15 min · Fechamento): duplas voluntárias desenham no quadro o modelo conceitual extraído.

Briefing para quem faz papel de Gupta: você é técnica, tem pressa, responde sempre com 1 frase, e tem 2 obsessões implícitas — (a) não quer KPI melancia, (b) precisa que o dash sobreviva à pergunta do Iger "e daí?". Você só revela se provocada.

Briefing para o analista: use as 6 técnicas de elicitação. Comece aberto. Chegue na decisão. Mapeie entidades. Saída por rodada: rascunho de modelo conceitual + lista das 5 métricas que entram no dash + 3 perguntas em aberto.

Rubrica de avaliação (público devolve):

  • Chegou à decisão antes de pedir dado? (0–2)
  • Identificou entidades-chave (Assinante, Perfil, Sessão)? (0–2)
  • Definiu critério de sucesso do dashboard? (0–2)
  • Mapeou stakeholders silenciosos? (0–2)
  • Restrição/não-objetivo explícito? (0–2)

7.6 A régua da solução: ISO/IEC 25010

Cedo ou tarde, a solução encomendada chega — e o gerente precisa de uma régua para aceitá-la ou devolvê-la que vá além de "funciona". A norma ISO/IEC 25010:2023 (família SQuaRE) define o vocabulário padrão de qualidade de produto entre você e o time técnico, em nove características. A revisão de 2023 adicionou safety e renomeou usabilidade → capacidade de interação e portabilidade → flexibilidade:

#CaracterísticaPergunta do gerenteExemplo do dia
1Adequação funcionalFaz o que a decisão precisa?O recomendador acerta o que a família quer ver?
2Eficiência de desempenhoResponde no tempo do ritual?Score de PDV pronto antes do S&OP, não depois.
3CompatibilidadeConversa com o ecossistema?Databricks, SAP e Bees sem retrabalho manual.
4Capacidade de interação (ex-usabilidade)O gerente usa sem manual?Dashboard que precisa de treinamento já falhou.
5ConfiabilidadeAguenta o pico?O Disney+ caiu no dia do lançamento, sob demanda recorde.
6SegurançaProtege dado e acesso?LGPD no PDV, COPPA no perfil infantil.
7ManutenibilidadeEvolui sem reescrever?Trocar a métrica sem refazer o pipeline inteiro.
8Flexibilidade (ex-portabilidade)Escala para novos contextos?Do piloto em 1 região para 29 mercados.
9Proteção (safety) (nova em 2023)Evita dano no uso?Recomendação imprópria chegando a perfil infantil.
Como o gerente usa isso: não decore as nove. Na encomenda, escolha as 3 críticas para a sua decisão e transforme em critério de aceite mensurável — "churn score atualizado até as 6h" é critério; "sistema rápido" é desejo.

7.7 Qualidade da solução ≠ qualidade da decisão

A síntese do pilar é uma cadeia de quatro elos — cada um depende do anterior, e nenhum garante o seguinte:

EloO que éRégua / evidência
1 · Qualidade do dadoCompleto, atual e fiel ao processo que o gerouGartner (2021): má qualidade custa em média US$ 12,9 mi/ano por organização
2 · Qualidade do produtoAs nove características da solução que chegaISO/IEC 25010:2023
3 · Qualidade em usoBenefício real, aceitação e baixo risco no contexto de quem decideISO/IEC 25019:2023 (quality-in-use)
4 · Qualidade da decisãoO processo decisório que transforma análise em escolhaLovallo & Sibony (McKinsey, 2010): processo importa 6x mais que análise
A pegadinha: dá para ter dado limpo, software ISO-perfeito, adoção alta — e ainda decidir mal. O último elo não é técnico: é humano. É exatamente por isso que o próximo pilar é Heurísticas e Vieses.

8 · Pilar 4 · Heurísticas e vieses

8.1 Sistema 1 e Sistema 2 (Kahneman)

Daniel Kahneman, Nobel de Economia 2002, descreveu dois modos de pensamento humano:

Comitês de executivos seniores tendem a operar em Sistema 1 mascarado de Sistema 2: chegam com a decisão intuitiva já pronta e usam dado só para confirmar. Esse é o terreno fértil para os vieses abaixo.

8.2 Seis vieses críticos em comitê executivo

1

Viés de Confirmação

Buscar e valorizar evidências que confirmam a hipótese que já temos.

Disney+: "claro que ML vai funcionar, a Netflix prova". Time só coleta cases de sucesso, ignora limites.

Ambev: "o Bees vai escalar nesse PDV", apresentado só com dados dos PDVs em que já escalou.

2

Ancoragem

Primeira informação numérica vira referência para todas as próximas.

Disney+: CFO diz "Netflix gasta US$ 15B/ano em conteúdo". A partir daí, qualquer orçamento que não chegue lá parece "tímido".

Ambev: "ano passado vendemos X". Toda meta vira X + 5%, ignorando mudança de mercado.

3

Disponibilidade

Eventos vívidos/recentes pesam mais do que dados representativos.

Disney+: uma queixa viral no Twitter sobre buffering vira "crise de qualidade" mesmo com 99,7% de uptime.

Ambev: reclamação do dono de bar grande na última feira vira diretriz que canibaliza dezenas de bares menores.

4

Aversão à Perda

Dor de perder é ~2x maior que prazer de ganhar valor equivalente.

Disney+: resistência a retirar conteúdo legado mesmo com baixo consumo, "porque historicamente sempre teve no Disney Channel".

Ambev: manter SKU sem giro porque "tirar pode irritar varejistas tradicionais", mesmo sangrando margem.

5

Excesso de Confiança

Subestimar incerteza, especialmente em domínio familiar.

Disney+: "somos a Disney, qualquer coisa que lançarmos vira sucesso" (até John Carter e The Lone Ranger existirem).

Ambev: "conhecemos esse consumidor há 80 anos", subestimando o impacto da geração Z em hábito de consumo.

6

Status Quo

Preferência pela inação ou pela continuidade da regra atual.

Disney+: insistir na janela de cinema de 90 dias mesmo com o streaming pressionando o modelo de exibição tradicional.

Ambev: manter estrutura de força de vendas presencial em rotas onde o ROI do digital já superou.

8.3 Quatro práticas de mitigação

  1. Pre-mortem (Gary Klein) · antes de aprovar, peça à equipe para imaginar que "é 6 meses no futuro e esse projeto falhou catastroficamente. Conta a história do porquê." Vieses cedem quando o cérebro vai para o modo narrativo.
  2. Red Team / Segundo time · designar um grupo cuja missão é derrubar a proposta. Não pode ser o mesmo time que construiu.
  3. Decisão escrita antes da reunião · cada decisor escreve sua decisão em 1 parágrafo antes de o comitê discutir. Cancela ancoragem do primeiro a falar e excesso de confiança do mais sênior.
  4. Critério de reversão explícito · "Se em 90 dias a métrica X estiver abaixo de Y, voltamos atrás." Combate aversão à perda futura ("já investimos demais para parar").
Por que vale o esforço (a evidência): Lovallo & Sibony analisaram 1.048 decisões de negócio ao longo de 5 anos (M&A, novos produtos, capex) e mediram: a qualidade do processo decisório explica 53% da variância nos resultados; a qualidade da análise, apenas 8%"process mattered more than analysis — by a factor of six". Subir do pior para o melhor quartil em processo melhora o ROI da decisão em +6,9 pontos percentuais (The Case for Behavioral Strategy, McKinsey Quarterly, 2010). As quatro práticas acima são exatamente isso: processo.
Dinâmica 4 · Quiz dos Vieses na Sala da Disney · ⏱️ 35min · individual + plenária

Material: 8 mini-cenários de comitê Disney+ projetados na tela, um por vez — cenários hipotéticos criados para a aula, alguns situados nos meses seguintes ao lançamento.

(⏱️ 15 min · Anotação Individual): Cada participante anota qual viés está em jogo para cada cenário.

(⏱️ 20 min · Plenária e Mitigação): Plenária revela o gabarito e discute técnicas de mitigação aplicáveis.

Mini-cenários (com gabarito):

Cenário 1

O VP de Marketing abre a reunião dizendo: "A Netflix gasta US$ 15B/ano em conteúdo. Nosso budget de US$ 1B é claramente insuficiente." A discussão das próximas 2h gira em torno de como chegar perto desse número.

→ Ancoragem.

Cenário 2

Gupta apresenta dado mostrando que 62% dos cancelamentos ocorrem em D30. A CMO interrompe: "Não pode ser. Minha sobrinha adora Disney+, não saiu do app no fim de semana." Sugere que a métrica está errada.

→ Disponibilidade (caso vívido pessoal vence dado agregado).

Cenário 3

O COO propõe manter no catálogo todas as 47 séries antigas do Disney Channel mesmo com consumo médio de 0,8 horas/assinante/ano. Argumento: "tirar pode gerar percepção de catálogo pobre."

→ Aversão à perda (medo de perder percepção de catálogo > ganho de focar em hits).

Cenário 4

O CEO afirma: "Somos a Disney. Em 3 anos batemos a Netflix em qualquer mercado que decidirmos. Não preciso de modelo de cenário pessimista."

→ Excesso de confiança (subestima incerteza em domínio familiar).

Cenário 5

Time de produto traz 18 estudos de caso de plataformas onde recomendação ML aumentou retenção. Não trazem nenhum estudo onde a recomendação falhou ou foi enviesada.

→ Viés de confirmação (só evidências pró-hipótese).

Cenário 6

O VP de Conteúdo diz: "Esse modelo de janelas de exibição (cinema → home video → streaming) funciona há 30 anos. Não vamos mandar filme direto para o streaming só porque é a moda do momento."

→ Status quo (preferência pela regra atual mesmo sob mudança de mercado).

Cenário 7

Após uma reportagem viral citando que "Disney+ está esfriando", a liderança decide acelerar a estreia de 3 originais ainda em fase de roteiro, antes mesmo da análise de dados de churn ficar pronta.

→ Disponibilidade (manchete recente > dados estruturados).

Cenário 8

Reunião começa com o CFO dizendo: "Estimei US$ 350M para o investimento em capacidade analítica nos primeiros 18 meses." A discussão posterior debate "será suficiente?" ou "podemos cortar para US$ 300M?" — ninguém questiona se a estimativa inicial fazia sentido.

→ Ancoragem (número inicial vira o eixo de toda discussão).

Aprendizado-chave: reconhecer o viés é metade do trabalho. A outra metade é ter a coragem (e o método) de nomeá-lo em voz alta na sala. As 4 práticas de mitigação acima existem para tornar isso menos pessoal e mais protocolar.

9 · Atividade integradora · Problem Statement Disney+

9.1 O desafio

Você é parte do time de Margaret Gupta. Faltam 4 meses para o lançamento do Disney+. A liderança deu o seguinte mandato: "Apresente em 5 minutos onde Machine Learning vai criar valor único para o Disney+ nos primeiros 12 meses, com métricas, dados necessários e decisões que mudam — e prove que você considerou os riscos."

9.2 Estrutura do entregável (GUIDDE)

Cada grupo entrega 1 página estruturada nas 6 dimensões do GUIDDE:

Template · Problem Statement Disney+

1 página · GUIDDE

G · Goal: Aumentar a retenção em D90 do Disney+ de _____ para _____ até o final do ano 1.
U · Users: A decisão é tomada por _______ (cargo) e impacta diretamente _______.
I · Impact: Cada 1pp de retenção D90 representa ~US$ _____ ARR adicional. Se errarmos, o risco é _______.
D · Data: Precisamos de eventos de _______ (play, pause, abandono), atributos de _______ (perfil familiar) e _______ (catálogo). O que falta: _______.
D · Decision: O resultado deste trabalho muda a decisão de _______ (priorização de produção/curadoria/pricing/marketing).
E · Evaluation: Saberemos que acertamos quando _______ (métrica + threshold + prazo + baseline).

9.3 Estrutura do pitch (SCQA · 5 minutos)

  1. Situation (45s) — contexto Disney+ em jul/2019: ativos, lançamento, concorrência.
  2. Complication (45s) — o gap que justifica o trabalho. Por que ML, por que agora, por que não outro lugar.
  3. Question (15s) — a pergunta única que vai responder.
  4. Answer (3min) — apresentação do Problem Statement GUIDDE com ênfase em D · Decision e E · Evaluation.
  5. Risco (15s) — qual o principal viés que vocês estão tentando evitar e qual a prática de mitigação adotada.

9.4 Critérios de avaliação

9.5 Exemplo parcial (não copie · use como inspiração)

G · Goal: Aumentar retenção em D90 do Disney+ de 65% (baseline estimado a partir de Netflix lançamento int.) para 75% até dez/2020.

U · Users: VP de Conteúdo Original (decide priorização de US$ 250M de produção 2020/Q2) e VP de Growth (decide gatilhos de retenção no app).

I · Impact: Cada 1pp de retenção D90 ~ US$ 70M ARR (estimativa). Meta de +10pp = US$ 700M ARR. Risco contrário: cair para 55% = -US$ 700M e erosão de narrativa de "Netflix killer".

D · Data: Eventos de sessão (play, pause, abandono, tempo até primeira sessão), atributos de perfil familiar (idades, perfis kids), catálogo (franquia, gênero, duração), pagamento (forma, ciclo). Falta: histórico comportamental real (não existe — ...)

D · Decision: ... (o grupo completa)
E · Evaluation: ... (o grupo completa com critério, prazo e baseline)

9.6 IA Generativa no Brainstorming

Na fase de ideação, a IA pode ajudar a destravar a "Answer" do seu Problem Statement, sugerindo caminhos analíticos que você talvez não tenha considerado.

Prompt para Brainstorming de Soluções:
"Com base no GUIDDE que estruturei: [Cole o seu GUIDDE aqui]. Brainstorme 5 caminhos analíticos diferentes para resolver este problema. Para cada caminho, sugira uma métrica acionável e qual o principal viés que devemos vigiar (ex: Confirmação ou Ancoragem). Foque em soluções que um [Cargo] consiga patrocinar em 3 meses."

Exemplos de aplicação:

10 · Conexões com os próximos módulos

O Problem Statement entregue hoje não morre quando a aula termina. Ele alimenta a sequência dos próximos módulos do programa:

🎁 Bônus: Ambev na Prática

Guia de Bolso: Aplicando Amanhã

Use este roteiro para elicitar sua próxima "encomenda" para o time de dados:

1. O RitualEm qual ritual essa decisão será tomada? (S&OP, Weekly, VPO?)
2. A PerguntaTransforme o briefing vago em uma pergunta "Decision-Driven". Ex: "Se o Bees indicar que este PDV tem perfil Spaten, o HL incremental paga a geladeira em 6 meses?"
3. O GUIDDEPreencha as 6 letras. Se travar em uma, você tem um gap de elicitação.
4. O Anti-MelanciaQual recorte de dado pode nos enganar? (Ex: ignorar volume de marcas de baixo valor no total do PDV).

11 · Glossário rápido

TermoSignificado executivo
Problem framingDisciplina de transformar problema vago em pergunta única e diagnosticável.
KPI MelanciaMétrica verde no agregado, vermelha quando aberta por recorte relevante.
Decision-driven dataComeçar pela decisão a ser tomada e descer até o dado mínimo necessário.
GUIDDEFramework de 6 dimensões: Goal, Users, Impact, Data, Decision, Evaluation.
SCQAEstrutura de pitch da Barbara Minto: Situation, Complication, Question, Answer.
5 PorquêsTécnica Toyota para descer das camadas de sintoma até causa de negócio.
Modelo conceitualDiagrama de entidades de negócio e relacionamentos, sem detalhe técnico.
Modelo lógicoTabelas, atributos, chaves, cardinalidades — independente de banco.
Modelo físicoDDL real, performance, índices — terreno de engenheiro de dados.
Sistema 1 / Sistema 2Modos de pensamento de Kahneman: rápido/intuitivo vs lento/deliberado.
Viés de confirmaçãoTendência a buscar e valorizar evidências que confirmam a hipótese inicial.
AncoragemPrimeira informação numérica vira referência para todas as próximas.
Aversão à perdaDor de perder pesa ~2x o prazer de ganhar valor equivalente.
Pre-mortemImaginar que o projeto falhou e contar a história — ferramenta de Gary Klein.
Red teamTime designado para derrubar a proposta antes de ela ir a comitê.
Análise descritivaO que aconteceu — relatórios, dashboards.
Análise preditivaO que vai acontecer — scores, forecasts, classificação.
Análise prescritivaO que devemos fazer — recomendação, otimização.
Problem StatementDocumento de 1 página que estrutura formalmente um problema diagnosticado.
Stakeholder silenciosoQuem não está na sala mas será impactado pela decisão.
Sell-in / Sell-outVenda para o PDV (nasce no Bees) vs venda do PDV ao consumidor (ponto cego do processo).
BPMN / SIPOCNotações de modelagem de processo; o gerente lê, não desenha.
Maturidade analíticaEscadaria Gartner: descritiva → diagnóstica → preditiva → prescritiva.
ISO/IEC 25010Norma com as 9 características de qualidade de produto de software — a régua para aceitar ou devolver uma solução.
Qualidade em usoBenefício, aceitação e baixo risco no contexto real de quem decide (ISO/IEC 25019).

12 · Leituras e referências

Case principal

Bibliografia executiva

Exhibits do case (Kellogg KE1251)

Pesquisas e relatórios citados nos slides

Fontes públicas úteis

Bom módulo! Lembre-se: o objetivo do dia não é virar cientista de dados — é sair com a capacidade de fazer a pergunta certa, na ordem certa, para a pessoa certa. Esse é o trabalho do gerente que dá retorno em dado.