Encontro expositivo e aplicado · 02/09/2026
Como se demonstra que um sistema empresarial está apto a entrar em operação: técnicas de teste, níveis de maturidade, o que muda em software de prateleira e o plano que conduz a virada.
Ritual do projeto
Cada grupo informa o avanço dos artefatos, a atividade prevista para o encontro e os impedimentos que exigem decisão.
Quarenta e cinco minutos de exposição, cinquenta e cinco minutos de sala invertida com pitch e cinco minutos de fechamento.
A qualidade de um sistema empresarial se demonstra pela cadeia que liga o direcionador de negócio ao produto instalado. Cada camada existe porque a camada superior a exige e determina, por sua vez, o que deve ser verificado.
Enunciado da necessidade do negócio. Requisito sem direcionador correspondente não se admite no escopo.
O requisito funcional origina casos derivados da especificação. O cenário de qualidade fixa o estímulo, a resposta esperada e a medida exigida.
A ADR registra a decisão estrutural e a tática que a realiza. O teste provoca a condição prevista no cenário e observa a resposta obtida.
A Aula 3 encerrou com a regra configurada, documentada e rastreada. Esta aula estabelece como demonstrar que a configuração se comporta conforme o esperado e como conduzi-la até a operação.
Ação da pessoa que produz um artefato incorreto: uma regra mal compreendida, um campo trocado na configuração.
A consequência do erro registrada no código, na configuração ou no documento. Permanece latente enquanto o caminho não é executado.
A manifestação do defeito durante a execução. É o que o usuário percebe e o que o teste procura antecipar.
O caso é derivado da especificação, sem conhecimento da estrutura interna. É a abordagem predominante em sistemas de prateleira, nos quais o código pertence ao fornecedor.
Regra: requisição até R$ 5.000,00 é aprovada pelo gestor imediato; acima disso, exige o diretor da área.
O caso é derivado do código ou do fluxo de execução. Aplica-se ao que a equipe desenvolve: relatórios, extensões, integrações e código customizado sobre o produto de prateleira.
| Critério de cobertura | O que exige | Uso típico no projeto |
|---|---|---|
| Comando | Cada linha executável percorrida ao menos uma vez. | Piso mínimo para rotina customizada; detecta código nunca exercitado. |
| Decisão ou ramo | Cada desvio condicional avaliado como verdadeiro e como falso. | Regras de negócio com condição; expõe o caminho alternativo esquecido. |
| Condição | Cada condição atômica de uma decisão composta avaliada nos dois valores. | Cálculo fiscal e de desconto com múltiplos critérios combinados. |
| Caminho | Cada sequência completa de execução percorrida. | Inviável em rotina extensa; reserva-se a trechos críticos e curtos. |
O caso é derivado da especificação com acesso a estruturas internas: modelo de dados, contrato de interface, log de execução e tabela de configuração.
O testador conhece o contrato da interface e consulta a tabela de destino para confirmar o que foi gravado, sem acesso ao código do produto.
A falha deixa de ser apenas observada na tela: o log e o registro no banco indicam em qual etapa o processamento divergiu.
O conhecimento da estrutura tende a conduzir o teste pelos caminhos previstos, reduzindo a chance de encontrar o uso inesperado.
| Abordagem | Conhecimento exigido | Quem costuma executar | Defeito que revela |
|---|---|---|---|
| Caixa-preta | Especificação e processo de negócio | Analista funcional e usuário-chave | Regra ausente, cálculo divergente, fluxo bloqueado |
| Caixa-branca | Código e estrutura interna | Pessoa desenvolvedora | Caminho não tratado, exceção silenciosa, condição invertida |
| Caixa-cinza | Contrato, dados e configuração | Pessoa de integração e de qualidade | Divergência entre sistemas, dado corrompido no percurso |
O nível indica o objeto sob teste; o tipo indica a característica de qualidade verificada. Um projeto de implantação combina os dois eixos.
O modelo TMMi descreve cinco níveis cumulativos. A posição da organização determina quais perguntas ela consegue responder sobre a própria qualidade.
| Nível | Designação | O que caracteriza | Pergunta que a organização passa a responder |
|---|---|---|---|
| 1 | Inicial | Teste executado de forma reativa, ao final do desenvolvimento, sem planejamento próprio. | Nenhuma de forma sistemática; o resultado depende das pessoas envolvidas. |
| 2 | Gerenciado | Política, estratégia, planejamento, monitoramento, projeto de casos e ambiente definido. | O que foi testado, por quem, com qual resultado e sob qual critério de saída. |
| 3 | Definido | Processo padronizado na organização, teste integrado ao ciclo de vida, revisões e teste não funcional. | Como o teste de um projeto se compara ao de outro e onde o processo é ajustado. |
| 4 | Medido | Medição do processo e avaliação quantitativa da qualidade do produto. | Qual é a qualidade esperada da próxima entrega, com base em dado histórico. |
| 5 | Otimização | Prevenção de defeitos, otimização do processo e controle de qualidade estatístico. | Qual causa raiz eliminar para reduzir a classe de defeito mais cara. |
Quatro indicadores tornam a maturidade observável no projeto do parceiro, sem a necessidade de avaliação formal.
Proporção de regras de negócio com ao menos um caso de teste associado e executado.
Defeitos encontrados após o aceite, divididos pelo total encontrado. Indica a eficácia do ciclo anterior.
Tempo necessário para repetir o conjunto crítico após uma alteração. Determina a viabilidade da regressão.
Existência de regra escrita que autoriza o encerramento do ciclo, com limite por severidade.
Em produto adquirido, o código pertence ao fornecedor e é testado por ele. A responsabilidade do cliente se desloca para a aderência ao próprio processo.
A sequência abaixo corresponde à fase de realização da metodologia de implantação e antecede a preparação para a entrada em operação.
| Ciclo | Escopo | Quem executa | Critério de saída |
|---|---|---|---|
| Teste unitário de configuração | Cada parâmetro e objeto configurado, isoladamente. | Consultor funcional | Todo item da lista de configuração executado com evidência. |
| Teste de cadeia | Sequência de transações de um mesmo processo dentro do módulo. | Consultor funcional | Documento gerado e encerrado em cada etapa da cadeia. |
| Teste integrado | Processo de ponta a ponta entre módulos e sistemas satélites. | Equipe de projeto com usuário-chave | Cenários críticos concluídos; defeitos de severidade alta encerrados. |
| Teste de aceitação | Cenários de negócio conduzidos pelo usuário na linguagem da operação. | Usuário-chave da área | Termo de aceite assinado, com pendências classificadas. |
| Teste de regressão | Conjunto crítico reexecutado após nota, pacote de suporte ou transporte. | Equipe de qualidade, preferencialmente automatizada | Ausência de divergência em relação ao resultado anterior. |
| Teste de conversão | Carga dos dados migrados, com reconciliação de contagem e de saldo. | Equipe de dados com a área usuária | Totais conferidos com o sistema de origem, divergência justificada. |
Em implantação de porte, o caso de teste é vinculado ao processo documentado e ao defeito correspondente, de modo que a cobertura seja demonstrável ao patrocinador.
Cada processo documentado recebe os casos que o exercitam. A cobertura passa a ser medida por processo de negócio, e não por transação isolada.
Ferramentas de gestão de teste do próprio ecossistema — Solution Manager e Cloud ALM — organizam plano, sequência, responsáveis e resultado de cada execução.
Automação por captura de interface ou por ferramenta de mercado torna a regressão executável a cada atualização, com custo compatível com a frequência exigida.
| Severidade | Definição operacional | Efeito sobre o cronograma |
|---|---|---|
| 1 · Crítica | Processo de negócio interrompido, sem alternativa manual. | Bloqueia a entrada em operação. |
| 2 · Alta | Processo executável apenas com contorno manual relevante. | Exige correção antes do aceite ou plano de contorno aprovado. |
| 3 · Média | Divergência que não impede a operação do processo. | Programada para a operação assistida. |
| 4 · Baixa | Melhoria de usabilidade, texto ou apresentação. | Registrada no backlog de evolução. |
Entende-se por cutover o conjunto de atividades que transfere a operação do sistema anterior para o novo, dentro de uma janela definida e com critérios explícitos de decisão.
Tarefas ordenadas, com responsável, duração estimada, dependência e ponto de verificação.
Intervalo acordado com o negócio, incluindo o congelamento do sistema anterior e o prazo máximo de indisponibilidade.
Carga final, reconciliação de contagens e saldos, e validação por amostragem com a área usuária.
Critérios de continuidade avaliados em reunião formal, com autoridade nomeada para autorizar ou suspender.
A escolha decorre do apetite a risco do negócio, da janela disponível e da capacidade de operar dois sistemas simultaneamente.
| Estratégia | Como opera | Quando é adequada | Risco assumido |
|---|---|---|---|
| Big bang | Todo o escopo entra em operação em uma única data. | Escopo integrado, janela curta disponível, legado com desligamento contratado. | Concentração de risco em uma data; retorno complexo após o início da operação. |
| Faseada | Entrada por módulo, unidade ou localidade, em ondas sucessivas. | Organização distribuída; equipe de suporte limitada. | Convivência temporária entre sistemas exige interfaces provisórias. |
| Paralela | Os dois sistemas operam com os mesmos dados e os resultados são comparados. | Processo de alto risco financeiro ou regulatório. | Custo elevado e duplicação do trabalho da área usuária. |
| Piloto | Uma unidade representativa opera primeiro e serve de referência. | Necessidade de validar premissas antes da adoção ampla. | Resultado do piloto pode não se reproduzir nas demais unidades. |
A decisão de virar se apoia em evidência confrontada com critérios acordados previamente.
Cinquenta e cinco minutos executados sobre a implantação em curso. Cada grupo recebe uma tarefa a realizar no ambiente do parceiro e a demonstra à turma no papel de comitê de aprovação.
Cada tarefa é executada no ambiente do parceiro e produz um resultado que permanece no projeto.
A apresentação ocorre com o sistema aberto. A sequência define o que é executado diante da turma e o que o grupo sustenta em cada trecho.
| Tempo | No sistema | O que o grupo sustenta |
|---|---|---|
| 0:00–0:45 | O objeto da tarefa localizado no catálogo do projeto | Que regra, interface ou sequência foi verificada e por que ela é crítica para a virada |
| 0:45–2:30 | Execução ao vivo do cenário de fronteira e do cenário de exceção | O que a regra determina e o que o sistema efetivamente fez |
| 2:30–3:30 | A divergência encontrada e a correção aplicada na parametrização | A causa identificada, a correção feita em sala ou o defeito que permanece, com severidade |
| 3:30–4:15 | O efeito sobre a janela de virada | O que a janela precisa contemplar em razão do que foi executado, e em que prazo |
| 4:15–5:00 | A recomendação ao comitê | Entrar em operação, entrar com contorno ou não entrar, sustentado no que a turma acabou de ver |
Seis proposições para conduzir a verificação e a virada do sistema do parceiro.
A decisão de entrar em operação se sustenta em evidência de teste e em plano de virada, com critérios definidos antes da data.
Caixa-preta para o produto configurado, caixa-branca para o código próprio, caixa-cinza para a integração.
O nível define o objeto sob teste; o tipo define a característica verificada.
Rastreabilidade, defeito escapado, tempo de reexecução e critério de saída medem a posição do projeto.
Testa-se a parametrização, a integração, o dado migrado, a autorização e o processo fim a fim.
Cada atualização do fornecedor exige a reexecução do conjunto crítico.
O plano de retorno e seu prazo limite são definidos antes da janela de virada.
Fontes normativas e técnicas para aprofundamento e consulta durante a atividade.
Testes e cutover no contexto de sistemas empresariais · 02/09/2026 · Prof. Afonso
Ao final do encontro, o estudante deve ser capaz de selecionar a técnica de teste adequada ao objeto verificado, derivar casos a partir de uma regra parametrizada no ERP, avaliar a maturidade do processo de teste do próprio projeto e elaborar o plano de cutover correspondente, sustentando a recomendação de entrada em operação com evidência de execução.
Exposição dialogada em quatro blocos — técnicas de caixa-preta, caixa-branca e caixa-cinza; níveis e tipos de teste; maturidade do processo; verificação em software de prateleira e plano de cutover — seguida de atividade em sala invertida: cada grupo recebe um recorte técnico, ensina-o à turma e o aplica ao sistema do parceiro, encerrando com pitch de cinco minutos perante a turma no papel de comitê de aprovação.