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Módulo 7 · Sistemas de Informação Plano de Ensino Encontro de instrução

Aula 2 — Análise e Carga de Dados

Plano operacional do dia: como perfilar uma base legada, especificar em código as regras de limpeza e validação exigidas pelo objeto de migração do SAP, e emitir o arquivo de carga com relatório de exceções e reconciliação de totais.

Sobre este encontro

Análise e Carga de Dados · 18/08/2026 · Prof. Afonso

Objetivo de aprendizagem

Ao final do encontro, o estudante deve ser capaz de perfilar uma base legada em planilha, especificar e aplicar em Python as regras de limpeza, padronização e validação exigidas pelo objeto de migração do SAP, e emitir o arquivo de carga acompanhado do relatório de exceções e da reconciliação de totais.

Estratégia do encontro

Exposição dialogada em quatro blocos, cada um seguido da execução imediata do trecho correspondente do notebook no Google Colab sobre uma base legada com defeitos conhecidos; o encontro encerra com a produção, por grupo, do arquivo de carga e do relatório de exceções do objeto de migração escolhido no projeto do parceiro.

Estrutura do encontro

  1. Bloco 1 (30 min) — Migração de dados na implantação: escopo dos objetos, ferramentas de carga do SAP e anatomia do template de migração
  2. Bloco 2 (35 min) — Perfilagem e qualidade: dimensões de qualidade, conformidade técnica dos campos e validação contra domínios de configuração
  3. Bloco 3 (40 min) — Prática em Google Colab: ingestão da planilha multiabas, transformação, quarentena de registros e emissão do arquivo de carga
  4. Bloco 4 (15 min) — Reconciliação, ensaios de carga e cutover: critérios de aceite, tratamento de erros e governança dos dados

Segundo encontro do módulo no eixo de Computação. A Aula 1 estabeleceu as regras que governam a operação e o ponto em que cada uma deve ser implementada. Esta aula trata do insumo sem o qual regra alguma pode ser exercida: os dados que alimentam o sistema de gestão.

O encontro é predominantemente prático. Os grupos constroem, no Google Colab, o notebook que perfila a base legada, aplica as regras de transformação, separa os registros rejeitados e emite o arquivo de carga com a reconciliação. O produto é insumo direto da Aula 3 (gestão de configuração e escopo) e da Aula 4 (testes e cutover).

Identificação

Curso
Sistemas de Informação
Módulo
Módulo 7 — Sistemas de Gestão e Governança Empresarial
Aula
2 de 13 · Semana 3
Data
18/08/2026
Eixo
Computação
Professor
Afonso Brandão
Duração da instrução
2h30 (150 min)
Modalidade
Presencial · Laboratório conduzido
Pré-aula
Autoestudo guiado pelo material
Produto do encontro
Notebook no Colab + arquivo de carga + relatório de exceções
Sobre os horários

Os horários indicados no cronograma seguem a grade padrão do turno da tarde. Confirme o horário da turma antes do encontro e ajuste as faixas proporcionalmente; as durações de cada bloco orientam a condução.

Resumo

A migração de dados é tratada, com frequência, como tarefa de infraestrutura executada na virada para o sistema novo. Essa leitura é a origem de boa parte dos atrasos observados em implantação: a carga em si é breve, mas o trabalho que a viabiliza — extrair, medir, corrigir, mapear e validar — é análise de dados, consome semanas e depende de decisões que somente a área de negócio pode tomar.

O encontro percorre quatro blocos. O primeiro situa a migração no ciclo do projeto, define objeto de migração, distingue dados mestres de transacionais, estabelece o critério de corte e apresenta as ferramentas de carga do SAP e a anatomia do modelo de planilha publicado pelo objeto. O segundo trata de qualidade: dimensões verificáveis por código, medidas de perfilagem, conformidade técnica dos campos — códigos com zeros à esquerda, datas, decimais, unidades e comprimento —, mapeamento de-para de domínios, duplicidade e sequência de carga. O terceiro é laboratório conduzido no Google Colab, com a base legada da distribuidora: ingestão preservando o texto original, perfilagem, transformações escritas como funções verificadas por asserção, validação com quarentena e emissão do arquivo. O quarto trata de aceite: reconciliação por totais de controle, ensaios de carga, cutover e governança dos dados, inclusive a proteção de dados pessoais nos extratos intermediários.

Ao final do encontro, cada grupo possui um notebook executável de ponta a ponta, com os três artefatos que caracterizam uma carga bem-sucedida: arquivo de carga, relatório de exceções e reconciliação.

Objetivos de aprendizagem

  • OA-1Situar a migração de dados no ciclo do projeto de implantação e distinguir objetos de dados mestres de objetos transacionais, declarando o critério de corte aplicável a cada um.
  • OA-2Perfilar uma base legada em planilha, quantificando completude, cardinalidade, conformidade de padrão, duplicidade e registros órfãos.
  • OA-3Aplicar em Python as regras de conformidade técnica exigidas pelo destino: preenchimento de código com zeros à esquerda, conversão de data, conversão de decimal no padrão brasileiro e normalização de texto sem truncamento silencioso.
  • OA-4Especificar tabela de mapeamento de-para para campo de domínio, declarando o tratamento previsto para o valor de origem não mapeado.
  • OA-5Validar registro a registro e separar em quarentena os reprovados, com motivo legível por quem não escreveu o código, verificando por asserção que nenhum registro se perde entre a leitura e a saída.
  • OA-6Emitir o arquivo de carga a partir do modelo do objeto de migração e produzir a reconciliação de contagens e somatórios entre origem e destino.
  • OA-7Justificar a sequência de carga de objetos dependentes e identificar, no próprio resultado, a propagação da rejeição do objeto antecedente sobre o dependente.

Pré-requisitos

  • Leitura integral do material da Aula 2, com atenção às seções 6 a 11 (qualidade, perfilagem, conformidade, domínios, duplicidade e dependência).
  • Conta Google ativa, com acesso ao Google Colab testado antes do encontro.
  • Noções de Python em nível de manipulação de listas, dicionários e funções. Não se pressupõe experiência prévia com pandas.
  • Catálogo de regras produzido na Aula 1, para confronto entre as regras de derivação e os dados efetivamente disponíveis na base.
  • Extrato do sistema legado do parceiro, quando já disponível, em planilha com pelo menos duas abas relacionadas.
Sem extrato do parceiro

Grupo que ainda não disponha do extrato real conduz o encontro sobre a base sintética da distribuidora, gerada pela própria célula 2 do notebook e contendo os defeitos discutidos no material. A troca pelo extrato real afeta apenas essa célula; o restante do notebook permanece inalterado.

Cronograma do dia

📚 Bloco 1 · Autoestudo

10h00 — 12h00

Estudo individual orientado pelo material da Aula 2.

  • Ler o material, com destaque para as dimensões de qualidade (seção 6) e a conformidade técnica dos campos (seção 8).
  • Abrir o Colab, criar o notebook do grupo e executar as células 1 e 2, confirmando que a base do caso é gerada sem erro.
  • Registrar no caderno de bordo qual objeto de migração o grupo pretende tratar no projeto e por que ele é o mais crítico para o parceiro.

🍴 Intervalo · Almoço

12h00 — 14h00

Janela livre.

🎓 Bloco 2 · Instrução — Encontro com o professor

14h00 — 16h30

Encontro síncrono em formato de laboratório conduzido. Dois blocos expositivos com aplicação imediata, um bloco de prática guiada no Colab e um bloco de fechamento sobre aceite e governança. Detalhamento na seção seguinte.

🛠️ Bloco 3 · Desenvolvimento do projeto

16h30 — 18h00

Janela de trabalho da equipe.

  • Substituir a base sintética pelo extrato real do parceiro, mantendo o restante do notebook inalterado.
  • Completar a tabela de-para dos campos de domínio e levar ao parceiro os valores sem correspondência definida.
  • Registrar o notebook e as tabelas de mapeamento no repositório do grupo, versionados com o restante da documentação.

Detalhamento da instrução (14h00 — 16h30)

14h00
14h10
Abertura

Retomada e enunciado do objetivo

Retomada do catálogo de regras da Aula 1, com uma pergunta dirigida: as regras de derivação catalogadas podem ser calculadas com os dados que o parceiro efetivamente possui? Cada grupo relata em um minuto o objeto de migração que escolheu e por quê. Os relatos são registrados no quadro e retomados no bloco de aplicação.

14h10
14h30
Exposição

Bloco 1 · Migração na implantação

Onde a implantação atrasa e por que a carga concentra risco de cronograma. O ciclo de sete etapas e sua natureza iterativa. Objetos de migração: dados mestres e transacionais, critério de corte e consequência do escopo sobre o prazo. Ferramentas de carga do SAP e o que cada uma exige como entrada. Anatomia do modelo de planilha publicado pelo objeto de migração.

14h30
14h40
Aplicação

Escopo e critério de corte do caso do parceiro

Cada grupo declara, para o objeto escolhido na abertura: o critério de corte que aplicaria, os objetos dos quais ele depende e a ordem de carga decorrente. A discussão expõe dependências que os grupos não haviam considerado.

14h40
15h05
Exposição

Bloco 2 · Perfilagem e qualidade

Dimensões de qualidade e a distinção operacional entre o que é decidível sobre a base e o que exige confronto com o mundo real. Medidas de perfilagem por coluna, por padrão e por registro. Conformidade técnica: códigos com zeros à esquerda, datas, decimais no padrão brasileiro, unidades de medida e comprimento de campo, com a proibição do truncamento silencioso. Mapeamento de-para de domínios, duplicidade e consolidação, dependência e sequência de carga.

15h05
15h15
Aplicação

Diagnóstico da base do caso, sem código

Exibida a base da distribuidora em tela, os grupos apontam os defeitos que identificam e classificam cada um pela dimensão de qualidade correspondente. A lista produzida no quadro é confrontada, no bloco seguinte, com a saída da perfilagem executada em código.

15h15
15h25
Intervalo

Intervalo

Dez minutos. Os grupos aproveitam para abrir o notebook e confirmar a execução das células 1 e 2.

15h25
15h55
Laboratório

Bloco 3 · Prática conduzida no Google Colab

Construção do notebook, célula a célula, com todos executando simultaneamente: ingestão com dtype=str e a razão de cada parâmetro; perfilagem por coluna e confronto com a lista do quadro; transformações escritas como funções verificadas por asserção; mapeamento de-para; validação com quarentena; e a armadilha do valor ausente convertido em NaN, demonstrada em execução.

15h55
16h05
Aplicação

Emissão do arquivo e adaptação ao objeto do grupo

Execução das células de emissão do arquivo de carga e do relatório de exceções. Em seguida, cada grupo substitui os campos e as regras pelo objeto que escolheu, mantendo a estrutura do notebook. O professor circula pelos grupos e atende as dúvidas de adaptação.

16h05
16h20
Exposição

Bloco 4 · Reconciliação, ensaios e governança

Execução da célula de reconciliação e leitura conjunta do resultado: quais centros fecham, quais divergem e como cada divergência é atribuída a registros identificados na quarentena. Ensaios de carga e critérios de saída de cada um; cutover, medição de duração e reexecução sem duplicação. Responsabilidade sobre o dado, proteção de dados pessoais nos extratos intermediários e antipadrões.

16h20
16h30
Fechamento

Síntese e encaminhamentos

Questão de fechamento: dos registros que o grupo encaminhou à quarentena, quantos decorrem de defeito de formato, corrigível por código, e quantos exigem decisão de negócio? Encaminhamento do trabalho do bloco de desenvolvimento e da entrega do notebook.

Estratégias de metodologia ativa

  • Diagnóstico antes da ferramenta — os grupos apontam os defeitos da base a olho nu antes de executar qualquer código, e depois confrontam sua lista com a saída da perfilagem. A comparação evidencia os defeitos que a inspeção visual não detecta.
  • Laboratório conduzido com execução simultânea — cada conceito é imediatamente executado por todos, no próprio notebook, sobre uma base com defeitos conhecidos. O erro é observado em execução, na tela de cada estudante.
  • Erro provocado deliberadamente — a armadilha do NaN verdadeiro em contexto booleano é demonstrada antes da correção, com o registro defeituoso passando pela validação. A demonstração evidencia a necessidade de tratar explicitamente None, NaN e texto vazio na validação.
  • Migração do exercício para o caso real — a mesma estrutura de notebook é adaptada ao objeto escolhido pelo grupo ainda em sala, sob supervisão.
  • Artefato acumulativo — o notebook é reexecutado a cada novo extrato e é o instrumento que as aulas de configuração e de cutover consomem.
Princípio orientador

A pergunta que organiza o encontro é: o que se pode afirmar sobre os dados que entraram no sistema? Sem perfilagem, relatório de exceções e reconciliação, sustenta-se apenas a afirmação de que o arquivo foi aceito, que não atesta a correção dos dados.

Recursos e ferramentas

CategoriaRecursoUso
Slidesslides/slide-lesson-2.htmlCondução da instrução (25 telas)
Materialmaterials/lesson-2-material.htmlAutoestudo e fonte das células do notebook
Ambiente de execuçãoGoogle ColabNotebook do grupo, sem instalação local
Bibliotecaspandas, openpyxlIngestão, transformação e escrita de planilhas
Base do casoExtrato sintético da distribuidora, gerado pela célula 2Prática com defeitos conhecidos, disponível a todos os grupos
Caso de projetoTAPIOrigem do objeto de migração tratado pelo grupo
Plataforma-alvoSAP S/4HANA — Migration Cockpit e modelos de objetoReferência do formato exigido do arquivo de carga
Registro do trabalhoRepositório do grupoNotebook, tabelas de-para e arquivos de cada ensaio

Verificação de aprendizagem

O encontro não possui atividade ponderada. A verificação é formativa e recai sobre o notebook produzido em sala e concluído no bloco de desenvolvimento.

  • CR-1Execução íntegra. O notebook executa do início ao fim, sem intervenção manual, a partir do extrato original.
  • CR-2Perfilagem apresentada. Tabela de perfil por coluna, distribuição dos campos de domínio, duplicidade pela chave natural e registros órfãos entre abas.
  • CR-3Conservação dos registros. A soma de aprovados e quarentena iguala o total lido, verificada por asserção no próprio notebook.
  • CR-4Exceções legíveis. Todo registro em quarentena possui motivo compreensível por quem não escreveu o código. Nenhum valor é truncado silenciosamente.
  • CR-5Domínio declarado. Ao menos um campo com tabela de-para explícita e tratamento declarado para o valor não mapeado. Nenhum valor de domínio atribuído por omissão.
  • CR-6Reconciliação explicada. Tabela de confronto entre origem e destino, com cada divergência atribuída a registros identificados na quarentena.
Evidência de que o objetivo foi atingido

O grupo consegue responder, para qualquer registro ausente do arquivo de carga, por que ele foi rejeitado, quem decide sobre ele e qual o efeito de sua ausência sobre os totais reconciliados.

Conexão com a aula 3

A Aula 3 — Hands on: Gestão de Configuração e Escopo (26/08/2026) trata dos objetos de configuração que materializam o comportamento do sistema. A ligação é direta e em dois sentidos: os valores de domínio que o notebook desta aula exige — grupos de mercadorias, unidades, centros, condições — são precisamente os que a configuração precisa estabelecer, e o mapeamento de-para produzido hoje é a evidência de quais valores o ambiente precisa ter configurados antes da carga.

Na sequência, a Aula 4 (testes e cutover) consome o relatório de exceções e a reconciliação: cada registro em quarentena é um caso a ser tratado antes do corte, e a duração medida em cada ensaio é insumo do planejamento da janela de virada.

Bibliografia

  • SAP — Documentação do SAP S/4HANA, seção de migração de dados e do Migration Cockpit.
  • DAMA International — DAMA-DMBOK: Data Management Body of Knowledge. 2. ed. Technics Publications, 2017.
  • ISO/IEC 25012 — Data Quality Model.
  • McKinney, W. — Python for Data Analysis. 3. ed. O'Reilly, 2022.
  • Documentação do pandas e documentação do openpyxl.
  • Brasil — Lei nº 13.709/2018, Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais.
  • Redman, T. — Data Driven: Profiting from Your Most Important Business Asset. Harvard Business Review Press, 2008.